Representante da ONU, governo e da oposição síria vão se reunir pela paz

O foco da conversa será o cessar-fogo localizado e a troca de prisioneiros, em vez de acordos políticos.

Um representante da Organização das Nações Unidas tem uma reunião marcada com delegações do governo sírio e de seus opositores no Lago Genebra, nesta quinta-feira (23), numa tentativa de resgatar as negociações de paz, após um início amargo ontem. O foco da conversa será o cessar-fogo localizado e a troca de prisioneiros, em vez de acordos políticos.

O primeiro dia de negociações, na quarta-feira (22), foi dominado pela retórica violenta do governo do presidente Bashar al Assad e de seus inimigos. Reunidos pela primeira vez em quase três anos de guerra civil, cada lado acusou o outro de cometer atrocidades e não mostraram nenhum sinal de compromisso.

Apesar da indisposição, as autoridades ainda mantêm a esperança de poder salvar o processo ao dar um novo início às negociações com medidas para aliviar o sofrimento de milhões de pessoas no território sírio, especialmente em áreas isoladas, sem acesso à ajuda internacional.

"Nós tivemos algumas indicações claras de que as partes estão dispostas a discutir questões de acesso a pessoas necessitadas, e a liberação de prisioneiros e cessar-fogo locais", disse o representante da ONU Lakhdar Brahimi.

Ele tem agendada uma reunião com as duas delegações sírias separadamente nesta quinta-feira em Montreux, um balneário às margens do Lago Genebra. No início de sexta-feira, as negociações vão se mudar para Genebra, onde Brahimi irá se revezar entre as duas delegações.

Um dos negociadores da oposição, Haitham al Maleh, disse que o humor é positivo, apesar de um primeiro dia difícil.

Ele falou sobre um processo em duas fases, com medidas claras como a troca de prisioneiros, cessar-fogo, a retirada de armamento pesado e o estabelecimento de corredores de ajuda humanitária negociadas primeiro, antes da discussão sobre o futuro político.

As negociações permanecem frágeis, no entanto, com ambos os lados ameaçando se retirar ? o governo diz que não debate a remoção de Assad, enquanto a oposição afirma que não permanecerá caso as conversas não incluam a remoção de Assad como premissa.

Fonte: r7