Juízes federais entram em greve dia 27 no Piauí

Os magistrados não lutam por um aumento dos salários e sim por uma equiparação de vencimentos

Uma situação de intranquilidade e uma carreira desvalorizada. Esses são os principais motivos que levaram os juízes piauienses a aderirem à paralisação nacional da categoria marcada para o próximo dia 27. O juiz federal da 6º Vara Federal no Piauí, Sandro Helano, explicou ao Jornal Meio Norte que os magistrados não lutam por um aumento dos salários e sim por uma equiparação de vencimentos.

?Queremos a simetria de direitos entre as carreiras. O que acontece hoje é que o juiz federal, entre as carreiras federais no Ministério Público Federal, por exemplo, até no Executivo, como a Advocacia Geral da União e a Defensoria Pública, é a carreira com menos direitos?, argumentou Helano. A paralisação, segundo ele, tem o objetivo de mostrar à sociedade que a carreira está se desvalorizando. Ele conta que alguns colegas, ?inclusive de nível muito preparado?, estão deixando a carreira de juiz ?para ir para outras carreiras que estão tendo mais direitos?.

Outro ponto que os juízes federais chamam a atenção é a questão da segurança. ?Aqui na Justiça Federal trabalhamos com processos de crime organizado, lavagem de dinheiro, processos de tráfico internacional de drogas e situações desse tipo. Nós não temos segurança de trabalho?, frisa Sandro. Ele conta que vários juízes no país são ameaçados de morte. ?Já entraram em casa de juízes, que por sorte não estavam em casa e ameaçaram sequestrar filhos de juízes. Não temos nenhum tipo de segurança para desempenhar bem a função?, resume.

Sandro Helano afirma que a receita de falta de estímulo profissional e ausência de segurança desvaloriza a profissão. ?Assim, a sociedade vai ter juízes que não terão o devido preparo porque a carreira vai ficar desinteressante. Esse é o foco da paralisação do dia 27?. O magistrado ressalta que a categoria não pede que policiais vigiem as casas dos juízes. ?A gente quer apenas garantias para trabalhar com tranquilidade?, disse.

?Qualquer pessoa que entra com uma ação quer ser julgada por um juiz que possa julgar bem e decida de forma totalmente imparcial. Se você tem um juiz eventualmente com medo de decidir, de condenar um grande traficante, uma pessoa com grande poder de fogo, você talvez não tenha um julgamento adequado para a sociedade?, analisa Helano.

Fonte: Sávia Barreto, Jornal Meio Norte