Luta em prol de crianças de rua cria mobilização em campanha no Piauí

Dados de uma pesquisa do governo federal, realizada em 2011, revelam que existem 23.973 crianças nas ruas de 75 cidades brasileiras

Enfrentar à situação de rua de crianças e adolescentes é a meta das mobilizações nacionais que acontecem neste 23 de julho. Essas ações são encabeçadas pela Campanha Nacional Criança Não é de Rua que é formada por organizações da Sociedade Civil e do Poder Público. Em Teresina várias entidades estão envolvidas com a Gerência de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e de Assistência Social (SEMTCAS), que já identificou mais de mil pessoas em situação de rua.

Dados de uma pesquisa do governo federal, realizada em 2011, revelam que existem 23.973 crianças nas ruas de 75 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes. E 63% foram parar lá por causa de brigas domésticas. Destas crianças que estão na rua, 59% retornam à casa da família ou de amigos para dormir. Isso porque na rua, como uma maneira de conseguir dinheiro, através de malares, esmolas, venda de produtos, dentre outras atividades.

A gerente do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) Leste, Ana Benedita, informa que o centro (sobretudo próximo às praças), no mercado do Parque Piauí e no cruzamento da Tabuleta são os principais locais de Teresina onde frequentemente encontram-se crianças em situação de rua. Ela informa ainda que dessas crianças que são encaminhadas aos CREAS a maioria possui família residindo no município de Timon, o que dificulta o trabalho dos profissionais que não podem atuar fora de sua competência.

Benedita ressalta que o trabalho de abordagem de menores é algo delicado, pois muitos não têm consciência dos riscos a que estão expostos como doenças, drogas, perda do vínculo familiar e escolar; acidentes de trânsito, aliciadores de tráfico e exploração sexual, dentre outros inúmeros perigos.

Ela acrescenta que uma dificuldade recorrente é a resistência dos menores, que mesmo possuindo residência fixa, recusam-se a abandonar as ruas, pois a maioria alega que as ruas são uma forma de sustento, pedindo esmolas.

?Temos dificuldades, porque eles alegam que têm direito de ir e vir e que lá (a rua) é uma maneira de sobreviver e ter uma renda?, declara Ana, reforçando que é importante uma conscientização não só do Estado , mas de toda a população, para que não incentivem esse ciclo com esmolas.

Campanha Criança Não é de Rua na Praça da Bandeira

Com a finalidade de conscientizar a sociedade com relação a esse problema, a Prefeitura de Teresina, por meio da SEMTCAS, realiza hoje pela manhã a Ação Nacional ?Criança Não é de Rua?, uma mobilização alusiva ao Dia Nacional de Enfrentamento à Situação de Rua de Crianças e Adolescentes. O evento acontece na Praça da Bandeira e tem como parceiros CRAS, CRAES, SEMJUV e outros órgãos.

De acordo com a gerente de proteção especial da SEMTCAS, Iracilda Braga, esta data é importante para mobilizar a sociedade em prol da cidadania e fortalecimento da proteção da criança. Além de consolidar o dia 23 de julho como o Dia Nacional de Enfrentamento à Situação de Rua de Crianças e Adolescentes. Ela acrescenta que o evento conta com abaixo-assinado contra a redução da menoridade penal.

Esta data faz referência à ?Chacina da Candelária?, que aconteceu há 20 anos, na madrugada de 23 de julho de 1993, em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Neste trágico episódio, policiais atiraram contra aproximadamente de 70 moradores de rua que se abrigavam à noite no entorno da Igreja. A ação truculenta resultou na morte de oito crianças e jovens.

Fonte: Vicente de Paula