Mais de dez casas já foram demolidas no Morro do Urubu, no subúrbio do Rio

Mais de dez casas já foram demolidas no Morro do Urubu, no subúrbio do Rio

O clima entre os moradores é de tristeza e revolta.

Mais de dez casas já foram demolidas, nesta segunda-feira (12), no Morro do Urubu, em Pilares, no subúrbio do Rio, local considerado de maior risco de deslizamentos na cidade. O clima entre os moradores é de tristeza e revolta.

?Meu marido ralou muito para construir essa casa, é muito triste. Tudo que está lá dentro a gente ainda não pagou?, disse Elaine Carneiro de Oliveira, de 29 anos, grávida de quase quatro meses, enquanto observava a máquina destruir a sala da sua residência.

O marido, o ajudante de caminhão Adriano Gomes de Almeida, tinha o olhar fixo para os escombros. O casal tem dois filhos pequenos e, desde a última terça-feira (6), está vivendo em casa de familiares e, às vezes, dormindo em abrigos.

?Falta dois mil reais para eu acabar de pagar essa casa. Só aquele armário ali custou mil reais e eu ainda não paguei. Não deixaram eu tirar nada?, desabafou Adriano, com água nos olhos.

A casa de Adriano e Elaine foi a primeira a ser vistoriada pela associação de moradores, por ter apresentado rachaduras na manhã de terça.

De acordo com o subprefeito da região, André Santos, somente três casas sofreram deslizamento no Morro do Urubu. Ele contou que a maioria dos moradores está indo para a casa de parentes. Cerca de 30 famílias estão abrigadas no Centro do Comércio e Indústrias de Pilares (CCIP). Ele afirmou ainda que não há mais resistência de moradores em deixar as suas casas.

Empresas privadas irão auxiliar demolições

O secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osório, vistoriou o local nesta tarde e informou que a prefeitura irá contratar, até esta terça-feira (13), cerca de quatro empresas especializadas para dar apoio no trabalho de demolição.

?O prefeito autorizou a contratação emergencial de empresas para apoiar nesse trabalho de demolição porque a nossa unidade não está dimensionada para o volume de trabalho que vai ter?, afirmou. As empresas trabalharão sob a coordenação do Grupamento de Operações Especiais (GOE).

De acordo com Osório, até o fim desta semana será divulgado um cronograma de atuação e plano de operação em cada uma das áreas identificadas pela GeoRio como de risco máximo.

Ainda segundo o secretário, a prefeitura, as 250 famílias cadastradas no Morro do Urubu, que tiveram que deixar as suas casas receberão imediatamente o aluguel social, agora no valor de R$ 400, até as residências em Realengo, na Zona Oeste, ficarem prontas.

A Prefeitura do Rio afirmou que está apoiando as mudanças dos moradores.

?Oferecemos depósitos para guardar os móveis do morador que não tem onde deixar ou levamos os moveis dos moradores para onde ele quiser, pra onde ele vai ficar temporariamente, até receber a sua casa.

"Favela-Bairro foi dinheiro público jogado em escombros"

Para Edson Baíga, líder da comunidade e também membro da associação de moradores do Morro do Urubu, o dinheiro das obras do programa Favela Bairro, realizadas no fim da década de 90 na região, foi mal investido.

?Favela-Bairro aqui não adiantou nada. Foi dinheiro jogado fora, o sistema de drenagem é mal feito. Se tivessem feito uma obra de verdade, a gente não ia estar passando por isso hoje. Foi dinheiro público jogado em escombros?.

Edson ressaltou que, além da dor da perda da casa, os moradores sofrem também com a perda do vínculo criado durante esses anos na vizinhança. ?Aqui todo mundo trabalha perto, esse vai ser outro problema?. Mas o líder comunitário afirmou que quer acompanhar os moradores do Urubu aonde quer que eles estejam. ?A gente não vai perder o contato, vamos querer saber se estão bem e podemos até criar uma nova associação de moradores, a associação dos ex-Urubu?.

Fonte: g1, www.g1.com.br