Mal de Alzheimer continua sendo uma das maiores preocupações dos idosos

Caracterizado pela perda de memória, enterra lembranças e obriga os portadores a adotarem um novo modo de vida

Cercado de tabus, o mal de Alzheimer segue instigando o medo em milhões de famílias. Caracterizado pela perda de memória, enterra lembranças e obriga os portadores a adotarem um novo modo de vida. Conviver com o problema não é uma tarefa fácil e muitas vezes exige um esforço além do normal, a readaptação acontece gradativamente, esse processo detalhista ajuda na construção de laços, primordiais para o tratamento. Os sinais da doença podem surgir silenciosamente, ao modo que crescem os lapsos de esquecimento, cada paciente corresponde a um universo próprio, porém existe a certeza de que desistir nunca é o melhor caminho.

Típico da terceira idade, o problema chega a atingir 40% da população acima dos 85 anos, explicitando a alta abrangência; sua atuação pode ser explicada desde o histórico familiar do portador a outras causas comuns a qualquer pessoa. “Lesões que atingiram o sistema nervoso estão nesse grupo, pode ser, por exemplo, um AVC ou um derrame. O mais comum é a partir de 60 anos, quando sua incidência chega a ser agressiva e altíssima”, destaca o neurologista Manoel Balduíno. Segundo o profissional, a gravidade vai sendo estendida a partir da perda da massa cerebral. “Ele começa a ter uma lesão numa parte do cérebro chamada lobo temporal e o Alzheimer acaba comprometendo também outras estruturas, tanto que é comum encontrar pacientes com problemas motores”, diz.

O diagnóstico precoce torna-se essencial na difusão do tratamento correto. “Existe uma fase percursora que corresponde ao comprometimento cognitivo leve, ela pode evoluir e o ideal é que consigamos identificar nessa fase ou na fase inicial”, explica o neurologista João Carvalho. A atenção em torno dos sinais ajuda na procura pelo atendimento médico. “Existem outras sintomas, além da perda de memória, que englobam até mesmo a alteração comportamental, sinal esse que pode até ser mais predominante no início apesar de não ser o mais comum.

Na fase inicial aparece mais a desorientação temporal, perda de memória, o esquecimento, a noção de julgamento (por exemplo, numa manhã de sol, usa roupa de frio), alteração emocional. O ideal é que consigamos o diagnóstico mais precoce possível, através de uma ressonância, quanto mais evolui a doença, mais complicado. Quanto mais cedo, melhor o controle e a estabilização do quadro clínico”, detalha.

Outros sintomas podem auxiliar na descoberta. “Desorientação auditiva, alucinações visuais, delírios, alterações neuropsiquiátricas são sinais que têm a chance de aparecer, mas geralmente vêm na fase intermediária da doença”, explica Carvalho. É válido lembrar que as estratégias para a prevenção do Alzheimer ainda estão no campo das pesquisas. “É uma doença que a pessoa vai desenvolver quando tem a tendência, não tem como prevenir. Existem estudos em torno de vacinas, mas nada que esteja comprovado”, conclui o neurologista Manoel Balduíno.

No enfrentamento ao Alzheimer o cuidador tem um papel decisivo na vida do paciente, é ele que muitas vezes irá determinar a eficácia do tratamento. Nem sempre a química dos remédios prevalece, o toque de amor é indispensável. “”Ele faz toda a diferença. Quando o cuidador se informa, ajuda a melhorar o quadro clínico, a qualidade de vida do paciente”, afirma o médico João Carvalho.

A relação de confiança estabelecida pelos dois dá garantias nos momentos mais difíceis. “Apesar da pessoa ter o declínio da memória, alguns sentimentos podem ser preservados, ajuda também no sentido de diminuir a depressão e as quedas de repetição, que são constantes”, insere o neurologista Manoel Balduíno. Na constante batalha contra o Alzheimer é comum o desânimo e a falta de zelo próprio. “Eles não costumam pedir alimentos, nem mesmo água para beber, o que leva a desnutrição e desidratação, consequentemente ficam suscetíveis a infecções e complicações nos órgãos internos”, converge.

A motivação trazida pelo cuidador pode ser sentida no ex-bancário Francisco Alves, que mudou sua rotina completamente após a doença. Hoje, vive sob os cuidados da esposa e apenas nela sente a confiança para seguir em frente. “A gente se sente mal, se sente apagado, mas minha esposa me motivou muito e eu vi que o Alzheimer pode estancar e eu acredito nisso. Nossa Senhora botou a mão na minha cabeça no meu quarto, eu tenho fé”, diz.

O novo sentido da vida passou a ser garimpado dia a dia. “Tínhamos comprado um apartamento e mudaríamos para Goiânia, ele tinha o emprego dele e nós tínhamos planos, com o problema vendemos o imóvel e resolvemos ficar em Teresina, foi uma mudança brusca. Ele, quando foi diagnosticado estava muito depressivo, só falava em morte, hoje tem seus dias de tristeza, mas são raros, ele está muito bem”, destaca a cuidadora Luiza Souza.

O casal sempre encontra uma forma de manter viva a chama da paixão. “Ela é a razão da minha vida, tudo que eu faço é pensando nela, sem os seus cuidados eu não estaria aqui, ela que me mantém firme, é a minha força”, declara Alves.

O especialista João Carvalho alerta para que os familiares passem a ver a doença por outro aspecto, ela não é o fim, pode ser o recomeço. “Tem que ver o lado positivo, o que pode tirar da doença, essa interação aliada com o tratamento farmacológico e não farmacológico; o tratamento farmacológico pode envolver tanto medicamentos específicos para doença, quanto para problemas que surgem com o decorrer dela. Tal como terapia ocupacional, atividade física, o que é importantíssimo, ajuda na formação dos neurônios, na reorganização cerebral, é uma atividade cognitiva complementar”, aconselha.



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Fonte: Francisco Lima e Francy Teixeira