“Malhação de Judas” lembra tradição do sábado de aleluia e diverte teresinenses

O frei Cícero, residente da Paróquia São Raimundo Nonato, no Bairro Piçarra, zona Sul da cidade, confirma que aos poucos a malhação de Judas está se perdendo.

Em todo o Brasil, o Sábado de Aleluia, momento de celebração da igreja católica, é marcado pela tradicional “Malhação de Judas”. O costume, introduzido na América Latina pelos espanhóis e portugueses, consiste em surrar uma reprodução do apóstolo Judas Iscariotes, o traidor mais conhecido do mundo. Na cidade de Teresina, poucas pessoas continuam a tradição.

O frei Cícero, residente da Paróquia São Raimundo Nonato, no Bairro Piçarra, zona Sul da cidade, confirma que aos poucos a malhação de Judas está se perdendo.

“Hoje, é muito raro encontrar um boneco do judas. Lembrando que nossa cultura antiga está acabando por conta de muitas coisas novas, e é importante que não encerre. Acredito que o novo pode vir, mas não deve acabar as tradições que são base da nossa história”, afirma.

Procurando bastante pela cidade, ainda é possível encontrar famílias e amigos que seguem a tradição. No bairro Promorar, zona sul da capital, a população se une para que a tradição não morra, e, ao mesmo tempo, relembram o valor da amizade.

Os sete amigos, dentre eles, Fábio Bezerra e Flávio Santos, todos os anos confeccionam o boneco de judas e o fixam sempre no mesmo ponto. Flávio, que trabalha como agente de portaria, conta que os amigos realizam um trabalho minucioso. “Pegamos colchão, camisas, calças e tênis de todos os amigos colaboradores que não usam mais. É sempre uma tradição”, diz.

O pedreiro Fábio explica, que, no ano de 2015, a confecção do boneco teve uma baixa. Uma das causas foi a perca do grande amigo. “O Daniel era a pessoa que ficava a frente e a gente ajudava. Porém ele faleceu, e mesmo com sentimento de tristeza, não quisemos acabar com o costume”, conta.

A dona de casa e esposa de Fábio, Rosário Maria, relata emocionada a importância de não acabar com o projeto de Daniel. “Quando vejo esse momento, só passa a minha cabeça a imagem dele. E a tradição é muito antiga, por isso os amigos não querem que morra, pois dá uma animada na rua”, explica.

O mesmo acredita o pedreiro, que sente na Malhação de Judas a união entre família e amigos. “Faço desde criança, além de ser uma diversão e tradição pra gente”, finaliza.

Fonte: Ananias Ribeiro e Daniely Viana