Maus-tratos a animais no Centro de Zoonoses são denunciados em Teresina

Uma dona de animal de estimação apreendido pelo centro denunciou a dificuldade em recuperar o animal, saudável, após ter sido apreendido pelo Centro

Alvo de polêmica pelas más condições com que abrigava animais, o Centro de Zoonoses volta a centralizar polêmicas sobre o manejo de animais internados. Desta vez, a dona de casa Sílvia Amaral denuncia que teve o animal de estimação apreendido pelo centro durante uma fuga do bicho, e que os funcionários do local se recusaram a devolver o cachorro após inúmeras tentativas de resgate e ainda ameaçaram proceder com eutanásia.

O episódio aconteceu há mais de seis meses, mas serve para pincelar um cenário de completa irresponsabilidade e desolamento.

“Deixei o portão de casa aberto e meu cachorro saiu correndo para a rua. Quando fui procurar, soube que o Bobby (nome do cachorro) havia sido pego pela carrocinha. Me dirigi imediatamente para lá e sequer me deixaram entrar para ver o animal. Fui novamente no outro dia e falaram que ele seria sacrificado, pois estava doente, e comecei a discutir com o funcionário de lá. Voltei lá no outro dia e a informação era sempre a mesma, que ele estava doente e precisaria ser sacrificado. Achei o cúmulo do desrespeito”, reclama a dona do bicho.

Sílvia conseguiu recuperar o animal após muita insistência, só sendo possível depois que falou com os administradores do local. Quando chegou ao ambiente onde ficam os bichos, ela presenciou o horror. “Como várias pessoas já viram, lá tem péssimas condições para receber qualquer animal.

Não duvido que meu Bobby tenha adquirido alguma doença, pois lá, animais saudáveis e doentes partilham o mesmo ambiente. O Centro de Zoonoses sacrifica animais em perfeito estado de saúde e queria fazer a mesma coisa com o meu. Tamanho absurdo, não me surpreende que estejam pedindo a interdição do centro”, fala.

No Brasil, o sacrifício de animais é obrigatório apenas em casos de calazar. Mas em Teresina a eutanásia não é feita de acordo com as orientações médicas. A promotora do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, Denise Costa, mostrou-se preocupada e colheu todos os depoimentos. “As pessoas têm que entender que os animais, as árvores humanizam os homens, tornando-os mais próximos da natureza. Se nós vivermos apenas em ambientes urbanos, a nossa questão psíquica poderá ser afetada. Temos medo do rumo que estamos seguindo”, pontuou.

Vereadora cobra do MP interdição do Centro de Zoonoses

Chocada com a cena que presenciou com os próprios olhos no Centro de Zoonoses, a vereadora Teresa Britto (PV) assistiu, no local, à cena que se espalhou pela internet nas redes sociais. “Assisti à cena e fotografei. Havia animais gestantes no local que foram sacrificados. Lá, eles não têm nenhuma política de conscientização e humanização do tratamento de animais. A verdade é que eles não possuem nenhuma sensibilidade às condições dos animais, sejam domésticos ou silvestres”, denunciou. Em consequência, Teresa solicitou junto ao Ministério Público a interdição imediata do local.

“Solicitei a interdição do local para que ele seja disponibilizado apenas para atendimento médico veterinário e sugeri que outro local seja disponibilizado para abrigar os animais sadios. E que os animais curados sejam colocados para doação”, diz Teresa. Medidas simples que garantem um funcionamento mais humanizado do órgão impediriam uma série de problemas no que diz respeito ao bom tratamento dos animais.

FMS afirma que realiza procedimentos corretos

Em nota divulgada, a Fundação Municipal de Saúde informa que aplica os procedimentos corretos para a eutanásia de animais. Confira a nota na íntegra. “A Fundação Municipal de Saúde já se pronunciou sobre os procedimentos de eutanásia dos animais, que atendem à resolução do Conselho Federal de Medicina Veterinária Nº 1000, de 11 de maio de 2012, bem como sobre a estrutura do local.

A Fundação Municipal de Saúde concluiu em 2014 o projeto estrutural para ampliação e transferência dos setores de Correição de grandes e médios animais, canis e eutanásia. O projeto está aguardando a liberação de recursos para o início das obras. Quanto à interdição do Centro de Zoonoses, a Fundação Municipal de Teresina irá aguardar a notificação do Ministério Público Estadual para se pronunciar e prestar os devidos esclarecimentos”.

Eutanásia custa mais que o tratamento

A vereadora Teresa Britto acredita que o custo da eutanásia e incineração de animais é maior que os custos de manutenção e tratamento dos bichos doentes. Ela é autora de uma Lei Municipal que disciplina e orienta toda a política de proteção dos bichos, desde o controle de natalidade, doação responsável e tratamento de animais doentes. Entretanto, a lei não é respeitada de forma alguma no município.

“O município é responsável por fazer esta política de proteção, mas não está cumprindo com suas obrigações.

Solicitei o monitoramento e cumprimento da lei junto à promotoria e o farei via Câmara. A OAB [Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Piauí] também entrou com representação contra a Prefeitura Municipal de Teresina e agora a Câmara de Vereadores vai fazer o mesmo. Acredito que os custos com o tratamento dos animais devem ser menores que o sacrifício de animais.

Precisamos de uma gestão mais cuidadosa e sensível à causa animal”, conta.
Enquanto capitais como São Paulo e Salvador realizaram medidas responsáveis e estão bem à frente de Teresina no sentido do bom cuidado aos animais, Teresa acredita que ainda há tempo de a capital piauiense ser um modelo de cidade que protege os bichos. “Os animais são seres sensíveis que merecem respeito e atenção. Estamos bem atrasados neste sentido, mas ainda há tempo de transformar Teresina em uma cidade modelo que protege os animais. O que não podemos é continuar insensíveis aos maus-tratos”, pontua a vereadora.

 

Fonte: Olegário Borges