Mercado de animais vive impasse legal ao lado da Ceapi em Teresina

O local destinado à comercialização de animais está incomodando

O Mercado de Pequenos Animais, localizado ao lado da Central de Abastecimento do Piauí (Ceapi), está em impasse legal. É que, embora o local tenha sido inaugurado há mais de 20 anos, após a nova redação do Código de Posturas do Município, lançada em 2007, há uma contravenção ao capítulo que dita “da ordem e sossego público”.

Lê-se no artigo 44: “não são permitidos sons provocados por criação, tratamento e comércio de animais que venham a incomodar a vizinhança”. No caso, o problema nem é exatamente os sons. 

Mas o mau cheiro que o local exala, que é sentido antes mesmo de chegar ao prédio da Ceapi.Quem reclama são os próprios comerciantes, que dividem o espaço com a venda de animais. 

“O cheiro atrapalha muito a gente. O correto seria disponibilizarem um zelador que pudesse limpar sempre, porque do jeito que está as pessoas ficam bastante incomodadas. Convivemos com essa situação há muito tempo”, comenta Francisca Maria, que vende refeições dentro do espaço.

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Lúcia Maria, que também vende refeições, completa a reclamação de Francisca Maria. “O cheiro é muito forte, e pra gente que vende comida é mais difícil, porque o pessoal, às vezes, fica enojado”, ressalta.

O espaço também possui muita sujeira próximo às baias onde ficam os animais. As fezes dos animais é que causam o cheiro forte, além dos restos de alimentos que são servidos aos porcos e caprinos.

SDU quer levar comércio ao Parque de Exposições 

De acordo com Renato Lopes, gerente de serviços urbanos da Superintendência de Desenvolvimento Leste (SDU/Sul), faz-se necessário uma permuta.

"Estamos fazendo um levantamento para tirá-los dali. Mas a Ceapi não quer assumir essa responsabilidade. Queremos fazer a transferência deles para o Parque de Exposição, mas dependemos do Governo do Estado", explica.

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Renato faz um breve histórico do Mercado de Pequenos Animais. "Este espaço foi construído pelo Estado em parceria com a Prefeitura de Teresina, através do programa Dom Avelar. 

E a intenção quando foi construído era para tirar os comerciantes do meio da rua. Mas naquela época eram animais em pequenas quantidades. Porém, depois que foi criado o mercado, o pessoal melhorou de vida e começou a criar grande quantidade de animais", diz.

Porém, já tivemos uma conversa com os comerciantes para amenizar o problema. "Nosso procedimento a partir de 2013 foi fazer um acordo com eles para diminuir a quantidade de animais. Eles haviam aumentado as baias sem autorização. Também foi proibido o abate. A cada 15 dias nós realizamos limpeza do local", esclarece. 

A reportagem buscou informações com a direção da Central de Abastecimento do Piauí, mas não obteve retorno até o fim desta apuração.

Comerciantes não querem sair do espaço 

Segundo informações dos comerciantes locados no Mercado de Pequenos Animais, gira em torno de 600 o número de pessoas que vivem do mercado direto e indireto do espaço. Deste número, 60 pessoas trabalham diariamente no local. 

E sobre mudar de lugar, eles são enfáticos em dizer que não saem do local. "Aqui ninguém cria bicho nenhum. Aqui vendemos animais. Ninguém pode nos tirar daqui por causa disso", afirma Francisco Bisco, de 68 anos.

Para Raimundo Carlos, de 55 anos, mudar o mercado de lugar vai desempregar muitas pessoas. "Nós não podemos sair daqui. 

Se tirar daqui é melhor acabar, pois vai prejudicar as famílias que fazem uso deste espaço. Com certeza vai aumentar o desemprego, pois muitos produtores do sul do Estado dependem deste comércio", declara.

"Somos uma feira de pessoas pobres. Por isso batem tanto em cima de nós. Caso nos mudem para o Parque de Exposições, com certeza perderemos clientes. Lá é muito longe. Ninguém vai mais para lá", afirma Raimundo Nonato, de 70 anos. 

Fonte: Lindalva Miranda e Lucrécio Arrais