Mercado destaca a importância do impresso para a publicidade

"O impresso é tão importante quanto o café da manhã", disse.

A primeira edição do Summit de Comunicação, promovido pelo PROPMARK com apoio da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), que foi realizada em São Paulo, acabou sendo um encontro marcado pela defesa da mídia impressa. Grandes nomes do mercado brasileiro como Nizan Guanaes, sócio-fundador do grupo do ABC, e Luiz Lara, sócio e diretor-presidente da Lew’Lara/TBWA, dono de um discurso que foi do romantismo à democracia.

“O jornal impresso é tão importante para o leitor quanto o café da manhã”, brincou o publicitário. Lara ainda foi mais além quando garantiu que a mídia impressa é a principal entre todas que existem. “Ela é responsável por pautar os telejornais que assistimos, ela é responsável pelas notícias da rádio que ouvimos”, afirma.

Já em relação a credibilidade, o publicitário disse que ela está ligada ao meio impresso. “A credibilidade é um patrimônio do jornal impresso, que migrou para outros meios, como o online”, conta. “O jornal impresso é o mais confiável”, completa.

A democracia, para Luiz Lara, só pode existir por conta do meio impresso. “Um país democrático precisa, e muito de jornais”. Ele também falou sobre o atual momento do país e a relação com o meio impresso. “Estamos numa época crucial do Brasil e estamos vendo a importância do jornal para este momento”, afirma.

Para finalizar, Lara deixou um convite aos participantes. “Mesmo na crise, eu convido a todos a convencerem os anunciantes a apostarem num discurso que fique distante da separação do on e do off. Hoje, tudo é on. E as marcas estão com a reputação toda a prova se não houver uma narrativa consistente”.

Digital x Papel

“O digital não vai matar o papel”. A afirmação foi de Sergio Maria, diretor de estratégia do Google para a América Latina. “As mudanças que a gente vê no Brasil e a democracia precisam da mídia, principalmente da impressa”, afirma. Para ele, o papel não vai deixar de existir. “O papel vai continuar, mas o digital vai crescer”, diz.

Ainda de acordo com Sergio Maria, o que muda é a perspectiva de conexão com o usuário. “A lealdade do consumidor passa a ser cada vez mais com a boa experiência que a marca proporciona a ele”, diz. “Vou ser mais fiel àquele que me proporcionar uma melhor forma de consumir o conteúdo. Se um site não entra com certa velocidade, normalmente não vou mais acessar”, completa.

Publicidade na mídia impressa (Crédito: Reprodução)
Publicidade na mídia impressa (Crédito: Reprodução)



Abertura

Armando Ferrentini, diretor-presidente da Editora Referência (que edita o jornal PROPMARK e as revistas Propaganda e Marketing), abriu o Summit de Comunicação. Ele falou sobre a importância do meio impresso e afirmou que nenhuma mídia desapareceu na história da comunicação. “Desaparecem empresas, mas a forma da mídia jamais desapareceu”, afirma.

Como exemplo, Ferrentini falou sobre o rádio e a televisão. “O rádio não desapareceu quando a televisão foi inventada. A gente sempre foi tem um momento para ouvirmos o rádio”, completa.

Com um discurso entusiasta, Nizan Guanaes encerrou a primeira edição do Summit de Comunicação defendendo o meio impresso. “A mídia impressa é uma das maiores oportunidade para a publicidade. Se você anuncia no meio impresso, você fala com o mundo”.

O sócio-fundador do Grupo ABC foi ainda mais além ao falar sobre os discursos que dizem que o meio jornal vai acabar. “A mídia impressa vai desaparecer no mesmo dia que o dinheiro impresso desaparecer”, afirma. A

Argumentos não faltaram para Guanaes. “Eu escrevo na Folha de S.Paulo a cada 15 dias e onde eu vou neste país eu escuto pessoas”, diz.

Ele ainda arrancou risos do público quando brincou com a relação de anúncio com banner. “Com todo respeito ao banner, nada substitui um baita anúncio no impresso. Porque, quando se ganha algum prêmio, ninguém coloca num banner nem faz viral”, destaca.

Guantes, no entanto, reconheceu o poder do meio digital. “Sabe o que o digital está fazendo melhor? Vendendo o digital. O Facebook é craque nisso, o Twitter é craque nisso e o Google é craque nisso”, afirma. Para o sócio-fundador do Grupo ABC, a indústria gráfica precisa se vender mais.

“A mídia impressa se desenvolveu mais na área editorial do que na área comercial. É preciso aumentar a circulação/força”, aconselha.

Ainda de acordo com Guantes, é preciso olhar para a mídia impressa com olhos novos. “Cabe à mídia impressa fazer mais encontros como esse, tem de ir mais a Cannes. Se você não se posiciona, o outro pega o seu lugar”, diz. “Você precisa estar continuamente vendendo e posicionando o seu produto”, completa.

O publicitário relembrou o fato de ter sido um dos pioneiros na criação de uma agência digital. “Eu não estou desmerecendo o digital, só estou dizendo que as coisas têm o seu devido tempo, as coisas não são substituíveis assim”, destaca.

 Adaptação

Jacques Claude, diretor da Gutenberg Networks, afirmou em sua apresentação, que nenhuma mídia tem o poder de acabar com outra mídia. “Não existe mídia boa ou ruim, existe mídia que se adapte ao cenário atual”, ressalta. Ainda de acordo com o francês, a mídia impressa ainda é o pilar do marketing. “O marketing estruturado pela mídia impressa, que vai ter complemento em outras mídias, como a móvel e as redes sociais”, afirma.

Fonte: Portal MN