Modelo se desculpa por foto polêmica dentro de igreja

Modelo se desculpa por foto polêmica dentro de igreja

As primeiras fotos que ganharam repercussão foram a do homem

A modelo Hérika Priscila dos Santos, de 22 anos, se desculpou nesta segunda-feira (12) em entrevista, após as fotos de um trabalho, realizado em uma igreja em Catanduva (SP), repercutirem nacionalmente. "Peço desculpas a quem se ofendeu e se a igreja me pedir formalmente, também peço desculpas a eles. Todo mundo viu pelo lado de desrespeito, mas não vi por este lado, eu considerei um trabalho. Também sou católica e respeito a religião", afirma Hérika.

Considerada de mau gosto por católicos e repudiada pelo bispo da paróquia da cidade, a foto mostrava a modelo de asas e lingerie vermelha, na porta da igreja de São Domingos. Além dela, um homem também aparece no ensaio da igreja e em fotos no cemitério municipal. Ele foi procurado pelo G1, mas não foi encontrado para falar sobre o assunto.

As primeiras fotos que ganharam repercussão foram a do homem. Na quinta-feira (8), a igreja recebeu a nova imagem, desta vez de Hérika, tirada na porta da mesma igreja. A Diocese e a modelo afirmam que a foto é do mesmo fotógrafo, mas ele diz não se lembrar se foi ele quem a tirou. "Os modelos acharam que estavam autorizados pela igreja, até porque fizemos o trabalho e ninguém veio questionar. Quem deveria ter pedido a autorização para as fotos era o fotógrafo, esta não é a função do modelo", diz Hérika.

A modelo afirma que sabia desde o começo qual era o tema do ensaio. O fotógrafo iria fazer uma exposição sobre "anjos" em pontos turísticos da cidade. "Para mim foi um convite como outro qualquer. Jamais iria esperar uma repercussão como esta. Como viajo bastante, fiquei sabendo por meio de comentários a história e fui procurar na internet", conta.

Hérika afirma ser católica e que frequenta, quando não está viajando para trabalhar, uma igreja em Catanduva, mas não a igreja Matriz. Perguntada se ela repetiria o ensaio, ela diz que não vê problema nenhum, desde que seja autorizado pela igreja, de qualquer religião. "Não vejo pelo lado de pecado ou coisa assim, vejo pelo trabalho. Sei que esta repercussão talvez não seja boa para minha carreira, mas está feito, agora é seguir trabalhando", finaliza Hérika.

Entenda o caso

Na terça-feira (6), a Diocese de Catanduva (SP) decidiu entrar com um processo contra Márcio Costa, por fotos de seminus em uma igreja da cidade. O trabalho feito pelo fotógrafo profissional, que presta serviços para prefeitura, retratava modelos como anjos dentro da igreja de São Domingos. Alguns registros também usaram também cemitérios da cidade como locação.

Mesmo sendo consideradas "uma expressão artística e cultural" pelo fotógrafo, as fotos tiradas na Igreja Matriz incomodaram os integrantes da Diocese de Catanduva. Eles alegam que faltou bom senso ao usar um templo religioso como cenário de um trabalho que não tem caráter educacional, e por isso, com a ajuda do advogado da diocese, Flávio Thomé, iriam levar o caso à Justiça.

Na quinta-feira (8), o bispo de Catanduva (SP), Dom Otacílio Luziano da Silva, decidiu perdoar o fotógrafo e modelos. A Diocese pediu que seja feita uma carta de desculpas à igreja e que a exposição, onde as fotos seriam usadas, seja cancelada. Porém, o advogado da paróquia não descartou uma ação judicial caso hajam mais desdobramentos do caso.

A Diocese escreveu uma nota de repúdio, que vai ser distribuída à toda comunidade católica de Catanduva e será lida em todas as igrejas da cidade e outras 16 da região. No documento, assinado pelo Bispo, a igreja denomina o fotógrafo e a equipe dele de corruptos da moral e diz ainda que pessoas desse tipo fazem mal à sociedade.

O advogado da Diocese, Flávio Thomé, disse que nenhuma medida judicial foi tomada contra os responsáveis pelas fotos. Pelo menos por enquanto. ?Por hora, a atitude seria de aceitar uma retratação de quem fez e tirou as fotos dentro da igreja e a abstenção do uso delas. Caso haja desdobramentos, poderemos nos manifestar judicialmente?, explica Thomé.





Fonte: G1