Montadora já faz motor "mais limpo", mas só para exportar

Montadora já faz motor "mais limpo", mas só para exportar

Montadora já faz motor "mais limpo", mas só para exportar

AFRA BALAZINA

DA REPORTAGEM LOCAL


A Anfavea (representante das montadoras de veículos) admitiu que produz no Brasil motores com tecnologia exigida pela Europa para exportação, que são adaptados ao uso do diesel S-50. Esse combustível, muito mais limpo do que o usado no Brasil atualmente, deveria entrar em vigor no próximo ano. No entanto, a Petrobras condiciona o fornecimento do diesel à existência de motores novos.

Segundo a Anfavea disse à Folha, por e-mail, "é fato que as montadoras já fabricam no país motores e veículos da norma Euro IV [adequado ao diesel mais limpo] para exportação". Porém, a representante alega que eles são produzidos no Brasil levando em conta as especificações do diesel de cada país importador.

"Sua utilização para equipar veículos para o mercado brasileiro implicaria a realização dos mesmos trabalhos de desenvolvimento exigidos para os produtos nacionais", diz.

A entidade diz que precisa de três anos, desde a especificação do combustível pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), para testar o novo diesel e colocar o motor no mercado nacional. Como a especificação ocorreu somente em novembro de 2007, a Anfavea diz ter prazo até 2010 para se adequar.

Porém, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta semana que irá exigir que a norma seja cumprida e que não haverá prorrogação ou exceção. Segundo ele, quem não cumprir a resolução 315 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que prevê o combustível menos poluente em 2009, terá de se entender com a Justiça.

A Anfavea rebate. "O prazo de três anos é absolutamente necessário ao desenvolvimento de novos motores, tal a sua complexidade, exigindo novos parâmetros tecnológicos, calibração, testes em bancada, testes de campo, homologação, desenvolvimento de fornecedores e outros requisitos."

Entidades ambientalistas defendem que a Petrobras e a Anfavea importem os motores e o diesel limpo caso não consigam produzi-lo. Porém, a Anfavea afirma que isso não é viável.

"Ao contrário do que se afirma, não é possível simplesmente transplantar para o país tecnologias de motores Euro IV produzidos no exterior ou importá-los e incorporá-los aos veículos aqui produzidos", diz.

Segundo ela, isso ocorre porque as especificações são definidas considerando-se "as características de cada país e região, como relevo, altitude, temperatura, condições de operação".


Exportação

No ano passado, foram exportados 3.000 caminhões para a Europa -de um total de 41.200 exportados.

Neste ano, sabe-se que, dos 109,1 mil caminhões produzidos no país, um total de 26 mil foram exportados -mas não foi informado para que países especificamente.

 

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br