Moradores da Boa Esperança planejam ações para não serem removidos

Moradores fizeram reunião e planejam novas ações contra remoção

Na última quarta-feira, dia 22 de Julho, foi realizada uma roda de conversa com os moradores da Avenida Boa Esperança, Bairro Joaquim, zona norte da capital. A atividade ocorreu no Centro de Referência em Direitos Humanos - CRDH "Dom Hélder Câmara" (Cáritas) e contou com a participação de estudantes, professores universitários, representantes de movimentos sociais e do promotor de justiça Fernando Santos.

 Os moradores da Avenida Boa Esperança estão ameaçados de remoção em virtude da implantação da 2º fase do Projeto Lagoas do Norte - PLN, que prevê a duplicação da avenida. No início da reunião, as falas dos moradores destacaram possíveis danos ambientais com a duplicação. Destacaram que, até o momento, a Prefeitura Municipal de Teresina não apresentou um estudo específico da área sobre esses riscos sócio-ambientais. Além disso, defenderam que o direito à moradia digna deve ser respeitado e que o patrimônio histórico e cultural da comunidade, que reside há décadas na região, deve ser considerado pelo PLN.

 Entre as falas, avaliaram como positivas as vitórias conquistadas desde o início da mobilização dos moradores contra a remoção. "Hoje, sabemos que não estamos mais sozinhos. Alguns órgãos importantes estão do nosso lado, como o Ministério Público, a Defensoria Pública e o IPHAN. Além disso, muitos universitários e professores, de diversas áreas e cursos, visitam semanalmente a comunidade. Já participamos de muitos debates sobre direito à moradia e reforma urbana. Fizemos um café da manhã coletivo na porta da prefeitura, mas, infelizmente, o prefeito insiste em não nos receber", afirma a moradora Francisca Oliveira.

 O promotor de justiça, Fernando Santos, declarou que outras comunidades da capital estão também sendo violadas pelas ilegalidades dos projetos de reforma urbana em Teresina. "O nosso esforço é para garantir a dignidade da população. A moradia digna, o meio ambiente e o patrimônio histórico e cultural são direitos inegociáveis. O Projeto Lagoas do Norte deve garantir a melhoria da qualidade de vida dos moradores e não o contrário. É preciso muitos estudos e diálogos para que os projetos de reforma urbana em Teresina não violem os direitos humanos", declarou o promotor.

 A professora universitária, Andreia Marreiro, planeja uma exposição fotográfica itinerante com o título "Vozes da Esperança". As imagens foram produzidas pelos acadêmicos de arquitetura e urbanismo da UFPI. "Registramos o modo de vida e organização da comunidade Boa Esperança nesse espaço urbano. Isso deu deu visibilidade às vozes não escutadas pela Prefeitura", finalizou a docente. Sobre o papel da universidade nessa luta, a estudante de direito, Ana Carmelita Moura, destacou que as Instituições de Ensino Superior não podem se isolar das demandas populares e, por isso, o grupo do qual faz parte, "NAJUC Justiça e Atitude" (ICF), se organiza para construir essas lutas por novos direitos.

A equipe técnica do "CRDH Dom Hélder Câmara" estava representada pelo advogado Lourival de Carvalho e pela assistente social Jaciara Bezerra, que declararam se solidarizar com a luta da comunidade. Eles informaram que o CRDH é um projeto construído pela Cáritas Brasileira em parceira com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que, infelizmente, não renovou o projeto. Por isso, o CRDH está encerrando suas atividades ainda neste mês, mas existe a disposição da Cáritas Regional do Piauí em propor novos projetos que possam incluir a luta dos moradores da Avenida Boa Esperança.

Fonte: Portal MN