Morte do jornalista Tim Lopes completa 10 anos no sábado

Morte do jornalista Tim Lopes completa 10 anos no sábado

A data será lembrada com um evento no Conjunto de Favelas do Alemão, no Rio, onde o jornalista foi assassinado.

A morte de Tim Lopes completa 10 anos no próximo sábado (2). A data será lembrada com um evento no Conjunto de Favelas do Alemão, no Rio, onde o jornalista foi assassinado por um grupo de traficantes quando fazia uma reportagem no local. Segundo a Vara de Execuções Penais (VEP), os sete acusados do crime foram condenados e permanecem presos.

Tânia Lopes, irmã de Tim e organizadora da homenagem, considera que houve justiça: "Não só para o caso do Tim Lopes, como para todas as famílias de vítimas desses criminosos", afirmou Tânia, que agora se engajou na luta para que não se permita mais progressão de pena em crimes hediondos.

?Valeu, Tim Lopes? é o nome do evento de sábado, que acontecerá no Campo do Sargento, no Alemão.

?Muita coisa mudou nesses 10 anos. E o título é muito em cima disso. Valeu pela coragem, pela determinação e luta para que aquelas pessoas fossem observadas pelas autoridades. O Tim perdeu a vida, mas a população ganhou liberdade?, afirmou Tânia Lopes, irmã do jornalista e organizadora do evento.

Um varal será estendido no Campo do Sargento com 6.353 lenços brancos, que marcarão cada dia passado desde a morte de Tim. Além disso, o governo do estado vai montar tendas para prestação de serviços como retirada de documentos e atendimento médico.

A homenagem ocorrerá entre 10h e 19h e terá o apoio do AfroReggae, que realiza um trabalho social na comunidade. O objetivo é marcar o dia 2 de junho como uma data simbólica todos os anos.

Estão previstos também shows, a apresentação de alunos do Colégio Estadual Tim Lopes, instalado no pé do morro, teatro e uma caminhada até a Pedra do Sapo, onde o jornalista foi executado. Um ato ecumênico, com rufar de tambores, fechará as homenagens.

Tânia Lopes lembra que, para que acontecessem as mudanças a que se refere, o olhar se voltou para o conjunto de favelas depois da morte de Tim. E a ocupação das forças de segurança, em novembro de 2010, foi determinante para que a região recebesse os projetos sociais atualmente desenvolvidos no local.

?Veio o Colégio Estadual Tim Lopes, veio a UPP. A partir daí, chegaram agências bancárias, o teleférico, pessoas vivem As pessoas não vivem mais à margem da cidadania?, afirmou Tânia.

Na quarta-feira (30), foi inaugurada a UPP da Pedra do Sapo, a quarta instalada na região. As outras três ficam em Nova Brasília, Fazendinha e Adeus/Baiana.

Todos julgados e presos

Os réus que responderam ao processo de homicídio qualificado, no 1º Tribunal do Júri, estão presos em várias penitenciárias, até mesmo fora do estado.

Segundo as investigações, Tim Lopes foi executado quando fazia uma reportagem sobre prostituição infantil no Alemão. Ele foi descoberto e assassinado a mando do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco.

Elias foi preso três meses e meio depois do crime, na Favela da Grota, no Alemão. Em maio de 2005, Elias foi condenado pelo assassinato a 28 anos e meio de prisão. Outras seis pessoas foram julgadas e condenadas. Todos os acusados estão presos.

Fonte: G1