Mortos no RJ chegam a 183; mar agitado interdita ruas da capital

O prefeito Jorge Roberto da Silveira (PDT) decretou estado de calamidade pública na cidade

A frente fria que chegou ao Rio de Janeiro no começo da semana trazendo fortes chuvas que provocaram ao menos 183 mortes no Estado causou uma ressaca que fechou ruas no centro e na zona sul da capital fluminense nesta sexta-feira.

Enquanto isso, no Morro do Bumba em Niterói, cidade mais castigada pelas chuvas, o Corpo de Bombeiros e Defesa Civil trabalham desde a noite de quarta-feira na busca pelas vítimas de um deslizamento que soterrou dezenas de casas numa área construída sobre um lixão desativado.

Até agora 17 corpos foram retirados dos escombros e os trabalhos devem durar de duas a três semanas, de acordo com as autoridades. Em Niterói já morreram 107 pessoas por conta do temporal desta semana.

O prefeito Jorge Roberto da Silveira (PDT) decretou estado de calamidade pública na cidade. "Não sabia desse risco todo. Vamos tentar convencê-los de que eles têm que sair de lá", disse o prefeito à TV Globo.

No litoral da capital fluminense, as ondas de entre quatro e cinco metros de altura interditaram uma das vias da Avenida Atlântica, em Copacabana, que foi tomada pela areia e pela água do mar. A ressaca também provocou a interdição de uma faixa do Aterro do Flamengo, outra via expressa que faz a ligação entre a zona sul e o centro da cidade.

O mar da Baía de Guanabara também está bastante agitado e a água invadiu parte da cabeceira da pista do Aeroporto Santos Dumont, prejudicando parcialmente as operações no local. A travessia de barcas e catamarãs entre Rio de Janeiro e Niterói também está afetada pelo mar agitado.

"A ressaca pode piorar ainda mais, porque a maré vai atingir o seu auge no início da tarde, então há mais riscos de mais areia e água invadindo as pistas", disse o oceanógrafo David Zee, ao ressaltar que um ciclone extratropical passou perto do litoral do Rio e aumentando o tamanho das ondas.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), autorizou a remoção compulsória de moradores de 158 locais que estariam em situação de emergência na cidade.

Nesta semana, Paes já havia anunciado que a prefeitura iria remover de 1.500 a 2 mil famílias da Rocinha e do Morro dos Prazeres. A remoção, segundo o prefeito será feita com ou sem o consentimento dos moradores.

Fonte: Terra