Músico Roberto Silva, o Príncipe do Samba, morre aos 92 anos

Sambista morreu aos 92 anos, após uma luta de 6 meses contra o câncer

O corpo do músico Roberto Silva, de 92 anos, é velado na Capela Santa Isabel, em Inhaúma, no subúrbio do Rio, desde as 12h deste domingo (9). Cercado de parentes e amigos, entre eles, o músico Paulinho da Viola, o Príncipe do Samba se despede após falência múltipla dos órgãos, segundo informou a filha, Arilda, de 35 anos.

"Ele era muito protetor, com 35 anos, ele me tratava como se eu tivesse 5. Tinha muito cuidado com os filhos. Ele tinha uma cabeça muito jovem, era muito independente, nem na hora da doença ele queria ajuda", se recorda Arilda.

O sambista descobriu em 1995 um câncer na próstata, que segundo informou a família, tinha sido vencido. Há um ano, Roberto Silva reclamava de dores nas pernas, mas a família acreditava que era por causa de varizes.

"A gente não podia imaginar que era a doença voltando", declarou a esposa, Syone Guimarães da Costa, que estava há 19 anos com o músico.

Segundo relatou a família, Roberto Silva teve seu estado de saúde debilitado de 6 meses para cá, até sofrer um AVC, na quinta-feira passada (6), onde foi identificada metástase no fígado e rins.

"Só tenho lembranças boas. Muitos momentos felizes. Antes de morrer, ele me disse que jamais vai me esquecer. E eu jamais vou poder esquecer uma pessoa que me fez tão bem", declarou Syone.

Amigos desde a infância de Paulinho da Viola, o músico declarou que Roberto Silva é uma referência para ele e muitos de sua geração.

"Vai deixar muito saudade. O conheci quando eu ainda era menino. Meu pai era músico e quando Roberto começou a fazer a série de discos "Descendo o Morro", meu pai participou e eu pedia para ir lá assistir. Ele quem me apresentou Geraldo Pereira e tantos outros importantes nomes", relembrou Paulinho.

Roberto Silva morreu na casa da filha Arilda, onde morava, na madrugada deste domingo (9). Falecer perto dos filhos, em sua moradia, foi um pedido do músico.

Roberto também é pai de Adilson, Amauri e Almir. O sambista nasceu no Morro do Cantagalo, em Copacabana, contudo, morou grande parte de sua vida em Inhaúma, onde a família decidiu fazer o seu velório. O enterro será as 16h no Cemitério de Inhaúma.

Roberto nasceu no Morro do Cantagalo, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, e começou a cantar no rádio, na década de 30. Na década de 40 ele realizou suas primeiras gravações e logo depois passou a ser conhecido como "Príncipe do Samba". Seu primeiro sucesso, lançado pela Star, foi "Mandei Fazer um Patuá". Roberto também gravou ?Descendo o Morro", "Maria Teresa", "O Baile Começa às Nove", entre outros sucessos.

Fonte: G1