"Não estava preparado", diz jovem que encontrou corpo de vítima de jogador

Amigo da corretora chegou no local 15 minutos após a saída do suspeito.

A morte da corretora Iara Maria Matana, de 56 anos, assassinada pelo jogador de futebol Gianluca Girolano, no dia 6 de agosto, em Guarujá, no litoral de São Paulo, está longe de ser esquecida por quem a conhecia. Ainda mais para Dalton Alonso Neman, de 25 anos, colega de trabalho e amigo da vítima. Ele foi o responsável por encontrar o corpo e por dar a notícia à família. O corretor chegou no local do crime 15 minutos depois da saída do suspeito. O jovem esteve na missa realizada em homenagem a Iara na noite desta segunda-feira (12), na Igreja Matriz da cidade.



Dalton ainda tem as lembranças daquele dia bem vivas em sua memória. "Eu recebi uma ligação do genro dela, à 1h10 da madrugada, pedindo para correr até o apartamento e ver o que estava acontecendo. Ela não atendia o telefone e havia algo errado com as mensagens que ela estava mandando. Quando cheguei, a porta estava aberta e encontrei o corpo dela. Eu esperava qualquer coisa, menos aquilo, eu não estava preparado", relata.

O jovem lembra que, mesmo chocado com a situação, ficou até o início da manhã dando a notícia para os familiares de Iara. "O genro dela, que mora em Uberlândia (MG), me ligou de novo e eu contei que ela tinha sido assassinada. Depois, até às 6h, eu tive que dar a notícia para a família. As irmãs dela, que moram na Tailândia e na Holanda, me ligaram, além de um irmão que mora em Mato Grosso. Você nunca espera ter que passar uma notícia dessas para ninguém, é uma situação lamentável", diz.

Dalton lembra ainda que quase deu de cara com o suspeito. "Pelo que os policiais averiguaram, o homem saiu do local 15 minutos antes de eu chegar. Se eu tivesse ido para o apartamento antes, não sei o que teria acontecido. Agora ele está preso, mas se responder por tudo que fez, vai ultrapassar a soma de 60, 70 anos de prisão e, pouco depois, vai cair no regime semiaberto. Enquanto as penas forem brandas, não adianta nada. Na minha opinião, tinha que ser prisão perpétua", conclui.

O caso

A corretora Iara Maria Matana, de 56 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava em Guarujá, no litoral de São Paulo. O principal suspeito da morte é o jogador de futebol e vizinho da vítima, Gianluca Girolano, de 21 anos. A vítima estava nua e foi atingida por três facadas no pescoço. O suspeito teria roubado R$ 70 da vítima, o celular e tentado se livrar da arma do crime, das roupas usadas na noite do assassinato e da chave do apartamento de Iara.

De acordo com a família e amigos da vítima, a morte teria acontecido depois que Iara pediu para que o jogador tratasse a mulher com mais carinho, já que eram constantes as brigas entre os dois. A filha de Iara, Bárbara Rabelo, garante que, após as reclamações, o suspeito começou a perseguir a vítima.

O lateral-esquerdo, que neste ano teve uma breve passagem por um time que disputa a 3ª Divisão de Santa Catarina, admitiu que matou a corretora, mas que agiu sem pensar, sob influência do uso de cocaína. Gianluca foi preso logo após o crime.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) deve ficar pronto em 15 dias e irá dizer se houve violência sexual ou não durante o crime. A suspeita de um estupro surgiu pelo fato da vítima ter sido encontrada nua, com as nádegas lambuzadas de óleo e ketchup. O jogador explicou porque fez isso. ?Era para brincar mesmo, para zoar. Pensei em colocar fogo no corpo dela, mas me controlei. Ia fazer um negócio de terrorismo, que não era minha cara", falou ele.

Fonte: G1