Óbitos maternos diminuem 24% na Evangelina Rosa

Óbitos maternos diminuem 24% na Evangelina Rosa

Em meio aos altos índices de mortalidade infantil registrados no Piauí, uma notícia positiva foi divulgada pela Maternidade Dona Evangelina Rosa.

Em todo o Brasil o índice de mortalidade materna reduziu em torno de 19%. Dados do Ministério da Saúde, divulgados na última quinta-feira, apontam que a média nacional é de 74,6 óbitos para cada cem mil nascidos vivos.

Já o Piauí, assim como outros Estados do Nordeste, apresenta índices acima da média nacional, com 80,3 mortes para cada cem mil nascidos vivos. Mas as notícias não são apenas ruins.

Dados da Maternidade Dona Evangelina Rosa, referência em alta complexidade, mostram que o Estado segue a tendência nacional na redução dos números de mortalidade materna. Em 2011, 29 mulheres morreram durante o parto ou em decorrência de complicações da gravidez, enquanto em 2010, esse índice caiu para 22 vítimas, o que significa uma redução de 24%.

Nos primeiros meses deste ano foram registradas 4 mortes. Segundo o diretor da Maternidade, Francisco Martins, essa redução foi motivada pela melhoria no atendimento às gestantes, que repercutiu na queda de todas as causas diretas da mortalidade materna, como hipertensão arterial, hemorragias, infecções pós-parto, aborto e doenças do aparelho circulatório complicadas pela gravidez, parto ou puerpério.

?Melhoramos a assistência obstétrica e neonatal, aumentamos a dedicação de profissionais em todos os níveis e tivemos o apoio da Secretaria de Saúde às nossas solicitações?, destacou Martins.

Outro indicador importante da melhoria da qualidade de assistência foi a diminuição dos casos de infecções hospitalares, principais responsáveis por prolongar a permanência ou provocar a reinternação das mães.

Nesse sentido, a Maternidade Dona Evangelina Rosa apresentou redução nas infecções por endometrite (mucosa uterina), mastite puerperal (glândulas mamárias) e infecções do sítio cirúrgico. Os fatores que também contribuíram para a redução dos índices de infecção foram a reforma dos postos de enfermagem e da central de esterilização de material hospitalar, assim como o alto investimento em gases medicinais.

?O estudo dos óbitos é feito de forma detalhada pela comissão de mortalidade materna infantil, o que possibilita as intervenções voltadas para a redução dos números?, afirma Francisco Martins.

Aprovação de serviços médicos chega a 96% entre as usuárias

Além da redução dos índices de mortalidade materna, a Maternidade Dona Evangelina Rosa comemora o resultado de um levantamento realizado no segundo semestre de 2011, que mostra os indicadores de assistência da instituição baseados na satisfação em relação ao atendimento médico, de enfermagem, serviços gerais e nas informações prestadas sobre o registro de nascimento.

De acordo com os dados, durante os meses de avaliação, o índice de aprovação dos médicos da Maternidade esteve sempre acima de 85%, atingindo índice máximo de 96% em dezembro. Também houve aprovação relacionada aos demais profissionais, todos com índices significativos.

O diretor da Maternidade, Francisco Martins, explica que o levantamento é importante para detectar problemas e assim solucionálos. ?Tendo em mãos a avaliação das usuárias sobre os serviços prestados pela Maternidade foi possível visualizar melhor onde havia insatisfação e traçar estratégias de melhorias?.

É o caso dos serviços gerais, que envolvem limpeza do ambiente, que no início do levantamento apresentava índices de satisfação em torno de 65%, percentual considerado distante do ideal pela instituição. Com ações pontuais foi possível melhorar esse índice gradativamente, chegando ao máximo de 87% de satisfação no mês de novembro.

Outro serviço que melhorou após o levantamento foi o de informações sobre registro nascimento. Em junho, 59% das mães declararam que estavam satisfeitas com o serviço. O Índice cresceu 10% no semestre, chegando a 69% em dezembro.

Falta de material dificulta parto

A irmã de Hildiana Moura passou por momentos de desespero. No dia 14 de fevereiro ela deu entrada na Maternidade Dona Evangelina acreditando que iria direto para o centro cirúrgico. Contudo, após nove horas de espera recebeu a notícia de que não seria possível fazer a cirurgia porque a pressão arterial da gestante havia aumentado muito. Hildiana conta que tudo aconteceu por falta de material cirúrgico.

?Ela deu entrada na sala de espera às 13h e ficou aguardando até as 22h a chegada do material, mas aí já era muito tarde?, relata a irmã. A partir de então, a luta foi para controlar a hipertensão da mãe, antes de fazer a cirurgia, que só foi realizada quatro dias depois.

?Agora, ela e a neném estão bem, mas passamos momentos ruins?, disse Hildiana. A direção da Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que não acontece falta de material cirúrgico e que outro problema pode ter ocasionado a espera da paciente. Contudo, compromete-se em investigar o caso para futuros esclarecimentos.

Fonte: Nayara Felizardo