Ônibus não atendem demanda da população na Vila Irmã Dulce em Teresina

Os moradores do bairro Vila Irmã Dulce, localizado na zona Sul de Teresina, reclamam que estão praticamente sem ônibus. O principal transtorno é a perda de tempo

Os moradores do bairro Vila Irmã Dulce, localizado na zona Sul de Teresina, reclamam que estão praticamente sem ônibus. Segundo relatos da população, uma multidão de moradores precisa se deslocar da localidade para a BR-316, com a finalidade de obter mais opções de condução para a mobilidade urbana.

O principal transtorno é a perda de tempo. Com compromissos atrasados e o desconforto de andar em ônibus sempre lotados, os moradores que dependem de ônibus que passam na Avenida Goitacaz ainda são obrigados a caminhar 1,5 km até a parada para conseguir pegar as primeiras conduções, logo cedo da manhã.

“Quando são 6h da manhã, eu te garanto, aqui [na parada da Avenida Goitacaz] você não consegue pegar a viagem. Os ônibus vêm tão cheios que eles nem param”, lamenta Maria Leide de Sousa, dona de casa e moradora da Vila Irmã Dulce.

Maria Leide também critica a estrutura dos veículos a serviço da população.”Aqui está muito ruim. Além da demora para passar e dos ônibus lotados, eles quebram muito. É um grande desrespeito com a gente”, complementa.

Já a estudante do Ensino Médio Fernanda Silva acredita que os ônibus existentes atendem, sim, a demanda, mas com ressalvas. “Aqui tem ônibus suficiente apenas para a Vila Irmã Dulce, mas como ele passa no Porto Alegre e em outros bairros, e as pessoas de lá também precisam pegá-los, eles chegam quase para explodir de tanta gente. O certo seria ter um ônibus pra cada bairro”, considera.

Pessoas já perderam emprego por causa de atraso

Segundo Josivalda do Nascimento, que atualmente trabalha como secretária doméstica, grande parte dos atrasos em sua agenda acontecem em razão dos ônibus.

Ela conta que muita gente acaba até perdendo o emprego em razão do problema. "A gente só se atrasa. Tenho colegas que precisam entrar 7h30 no serviço pra bater o ponto e acabaram perdendo o emprego porque não conseguiam chegar na hora", relata.

Como Josivalda trabalha no bairro Vermelha bem cedinho, ela também é do time que precisa ir até outro bairro para conseguir pegar uma condução logo cedo.

"Aqui a gente é obrigado a caminhar até o Porto Alegre para conseguir pegar o ônibus antes de ele vir lotado demais. É até um exercício, né?", diz assustada ao saber que é 1,5 km de caminhada.

Strans: Ampliação da frota tem que ser analisada

Segundo informações colhidas junto à Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (STRANS), o aumento da frota de determinado bairro depende de um estudo técnico, realizado a partir do surgimento das demandas da comunidade.

"Há sempre a possibilidade de aumentar a frota de algumas linhas, mas carece de uma análise técnica para verificar, de fato, a necessidade. Todo o planejamento é feito baseado nas demandas e solicitações. Estamos sempre abertos a sugestões da população", afirma Vinícius Rufino, gerente de fiscalização e controle da Strans.

No caso da Vila Irmã Dulce, Vinícius acredita que o bairro está bem servido de ônibus. "No caso daquela região, em tese, é uma localidade bem provida de oferta.

Lá tem três linhas e mais duas linhas do Teresina-Sul que passam por dentro da Irmã Dulce. Ou seja, tem cinco linhas circulando e fazendo o atendimento de todo o bairro", esclarece Rufino.

Buracos na BR-316 acentuam problema

A reportagem do Jornal Meio Norte denunciou, na última matéria especial da zona Sul, veiculada na última terça- feira (17), a situação precária do trecho da BR-316, que é de competência do Governo do Estado do Piauí, através do Departamento de Estradas e Rodagens. Este problema também atrapalha a vida de pessoas como Maria Leide, Fernanda e Josivalda, que ficam ainda mais atrasadas.

E os atrasos se devem à vagarosidade dos veículos na via, em razão das grandes crateras que ali existem. "Os carros faltam não passar de tão devagar. A gente falando parece que é engraçado, mas é muito triste", afirma Maria Leide.

Segundo o DER-PI, o problema só será sanado com a conclusão da duplicação da BR 316, fato que não possui expectativa de prazo nem de retomada das obras e muito menos de finalização das mesmas.

 

Fonte: Lucrecio Arrais