Paciente arrisca vida ao fazer várias cirurgias plásticas ao mesmo tempo

Mulher de 48 anos morreu ao realizar seis procedimentos de uma só vez

Muitos pacientes procuram as cirurgias plásticas para melhorar a aparência, mas alguns colocam a vida em risco ao fazer múltiplas operações. Foi o que ocorreu com uma mulher de 48 anos, que morreu depois de se submeter a seis procedimentos de uma só vez.

A diretora de escola Janir Tuffani queria retirar excesso de pele das pálpebras, colocar silicone nos seios e fazer lipoaspiração nos braços, nas pernas, na barriga e nas costas. A cirurgia durou cinco horas e teria sido um sucesso.

No quarto, ela começou a sentir fortes dores abdominais e foi transferida para a UTI. Durante três dias, médicos tentaram conter uma hemorragia interna, mas Janir não resistiu.

O hospital Salt Lake, onde Janir foi operada, acaba de ser vendido e não vai mais realizar plásticas. Representantes informaram que a antiga administração alugava salas e equipamentos para médicos de fora, para cirurgias agendadas.

O médico responsável pela operação não quis falar com a imprensa e disse que vai esperar os exames do IML (Instituto Médico Legal) para se pronunciar.

Múltiplas operações

Janir realizou várias cirurgias em uma para aproveitar a anestesia, reduzir o custo e parcelar o pagamento. Ela gastou R$ 20 mil em dez parcelas.

O diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Fernando de Almeida Prado, afirma que existe risco em qualquer tipo de cirurgia. E que fazer vários procedimentos ao mesmo tempo não aumenta o risco.

O cirurgião plástico e professor da Universidade Federal de São Paulo Fábio Nahas explica que associar várias cirurgias pode trazer benefícios, como uma única anestesia e um único período de recuperação, ?mas é preciso cuidado com o tempo de exposição ao anestésico?.

O estado de saúde do paciente também é determinante. Os médicos afirmam que, em alguns casos, as cirurgias múltiplas são totalmente contraindicadas, por problemas de saúde, como pressão alta, associado a diabetes, por exemplo.

O CRM (Conselho Regional de Medicina) abriu sindicância para apurar a morte de Janir. Se ficar comprovado que houve erro e negligência, o cirurgião plástico pode perder o direito de exercer a profissão. O conselho também investiga outra morte suspeita no hospital Salt Lake três meses atrás.

Em fevereiro, a diarista Maria Gilessi Pereira Silva, de 41 anos, morreu no mesmo hospital onde Janir foi operada. A diarista foi submetida a uma cirurgia para colocar silicone nos seios e, uma hora depois, teve uma parada cardiorrespiratória.

Em todo o País, pelo menos sete mulheres morreram por complicações de cirurgias plásticas nos últimos sete meses. O diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica critica o que ele chama de "banalização" da plástica.

O cirurgião Fábio Nahas diz que o custo de pacotes com plásticas múltiplas nem sempre é menor. Segundo ele, às vezes é até melhor fazer em duas vezes, para o paciente ter mais segurança do que se expor a riscos desnecessários.

Fonte: R7, www.r7.com