Pai pede ajuda para cuidar de bebê que nasceu com órgãos expostos

Ela passou por cirurgia e ficará internada por cerca de 50 dias.

Um casal de Biritiba Mirim tem se desdobrado para cuidar da bebê recém-nascida, que está internada em São Paulo, e busca ajuda para o transporte diário até o hospital. A criança nasceu no dia 12 de agosto com uma má-formação chamada gastrosquise, em que o abdômen não se fecha por completo e os órgãos ficam fora do corpo.


Pai pede ajuda para cuidar de bebê que nasceu com órgãos expostos

Desde então, a pequena Ludymilla Vitória está hospitalizada e precisa de acompanhante por 24 horas, segundo a família. "A gente está com muita dificuldade porque é longe e a gente gasta R$ 20 por dia com o transporte. Minhas tias estão se revezando, mas é muito difícil. Eu não consigo ir porque preciso trabalhar?, afirma o pai da bebê, Wellington Aparecido Ferreira.

A condição foi descoberta apenas no momento do parto, apesar de a mãe ter feito pré-natal e exames de ultrassonografia em duas etapas da gestação. ?Queremos saber onde aconteceu o erro. O pessoal do hospital onde a minha filha fez a cirurgia para consertar o problema disse que quando a criança nasce com isso todo mundo já fica sabendo antes e ela é operada logo em seguida. A minha filha teve que ser transferida para outro hospital e só foi fazer a cirurgia no dia seguinte.?

Segundo a mãe, a dona de casa Paloma Hikaru Kamimura, de 19 anos, a gestação foi tranquila. ?Fiz o pré-natal no posto de saúde e não teve nenhum problema. O médico me pediu ultrassom quando a bebê estava com três meses e meio e depois com seis meses. Deu tudo normal. Na minha última consulta de pré-natal, uns 14 dias antes de ela nascer, eu pedi para o médico para fazer o ultrassom morfológico porque minhas amigas e outras mulheres da minha família tinham feito e falaram para mim que era importante. Ele disse que estava tudo bem e não precisava?, conta a jovem mãe.

Cirurgião pediátrico e professor do curso de Medicina em uma universidade de Mogi das Cruzes, Kleber Sayeg afirma que normalmente o ultrassom morfológico é pedido quando as imagens do ultrassom comum captam indícios de que algo está fora do normal. "O morfológico normalmente é um exame auxiliar que é pedido quando o médico detecta alguma alteração no ultrassom comum. O morfológico pode dizer se há outras más formações associadas", explica.

O médico explica que o ultrassom comum normalmente já consegue detectar a gastrosquise. "O ultrassom normal já detecta. O morfológico é mais específico. Esta má-formação é relativamente comum, acontece mais ou menos em um a cada 4 mil nascimentos e não tem uma causa específica", explica.

Sayeg analisou as imagens da última ultrassonografia feita por Paloma. "Pelas imagens eu não consigo ver uma gastrosquise. Pode ser que o corte da imagem não favoreça. Às vezes o ângulo em que a criança está não permite uma imagem clara", afirma.

A criança acabou nascendo um pouco antes da hora. Com oito meses e dez dias de gestação, Paloma sentiu as contrações e foi internada na Santa Casa de Mogi das Cruzes. ?Estava programado que eu iria fazer parto normal, mas enquanto me preparavam os médicos viram que a neném tinha feito cocô dentro de mim. Aí fizeram a cesárea e foi a salvação, porque senão eu e a bebê podíamos correr risco?, afirma Paloma. A criança nasceu com 2,375 quilos.

A família acredita que houve erro e fez uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina, além de ter registrado um boletim de ocorrência na Polícia Civil.

Fonte: G1