Patrão diz que jovem humilhada tem emprego garantido

A estudante está sem trabalhar desde quinta-feira (22), dia do incidente

A estudante de turismo hostilizada por colegas da Uniban por vestir roupa curta trabalha há um ano e nove meses em um mercadinho em frente à casa dela, em Diadema, no ABC. Dono do mercado, Fidel Pereira, de 56 anos, descreve a estudante como funcionária exemplar e disse que ela continua com o emprego garantido.

?A minha preocupação é que ela fique traumatizada com tudo isso. Mas ela volta quando quiser?, afirmou ele. "Não tenho nenhuma reclamação. Ela não dava problemas, trabalhava certinho?, afirmou.

A estudante está sem trabalhar desde quinta-feira (22), dia do incidente. ?A mãe dela veio me avisar que ela não poderia vir, que ela estava com a cabeça fora do lugar. Só ontem [quinta] fui saber o que aconteceu?, disse o comerciante, que não vê a jovem desde antes do ocorrido. ?Ela está recolhida em casa.?

Pereira afirma que no local de trabalho ela sempre evitou roupas curtas e nunca se envolveu em incidentes com clientes. "Fora do horário de serviço ela sempre usa vestido curto e eu acho uma coisa normal. Mas para trabalhar ela vinha de calça comprida. Não só ela como ninguém vem. Tem que trabalhar abaixado, subir na escada para pegar mercadoria e aí não dá certo."

No mercadinho, a jovem fazia de tudo um pouco ? trabalhava como caixa, recebia mercadorias e arrumava as prateleiras, cinco horas por dia, das 9h às 14h. A estudante recebe R$ 410 por mês. Segundo Pinheiro, a jovem começou no emprego quando tinha apenas 16 anos, e foi até o local pedir uma vaga.

A confusão na universidade ocorreu em razão de um vestido rosa considerado curto por colegas da faculdade, que a xingaram. A Polícia Militar foi chamada por amigos dela para conter o tumulto e permitir que a garota deixasse a faculdade. Muitas pessoas filmaram a cena e divulgaram as imagens no site de vídeos. A universidade pediu para que o conteúdo fosse retirado e disse que pretende aplicar medidas disciplinares aos causadores do tumulto.

Fonte: g1, www.g1.com.br