"Começamos a fazer parte de uma identidade", diz pesquisadora sobre o Piauí

"Começamos a fazer parte de uma identidade", diz pesquisadora sobre o Piauí

Depois de fazer seus estudos de pós-graduação em São Paulo, Ranielle Leal voltou ao Piauí.

Com MBA Executivo em Marketing pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e mestrado em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), a pesquisadora piauiense Ranielle Leal está prestes a lançar seu livro em que se debruça sobre as imagens que criaram um novo sentido de brasilidade na revista “Cruzeiro”, que com suas reportagens pelo Brasil profundo modernizou a imagem do país.

Depois de fazer seus estudos de pós-graduação em São Paulo, Ranielle Leal voltou ao Piauí e percebeu que o estereótipo de pobreza e ignorância construída ao longo do século XX vem sendo substituído paulatinamente pelas próprias oportunidades que estão surgindo no Piauí, para o Piauí e seu povo.

Meio Norte - Qual é a imagem do Piauí fora do Estado?

Ranielle Leal - Acredito que até bem pouco tempo a imagem do Piauí em nível nacional estava, e talvez em alguma medida ainda esteja, atrelada a um esteriótipo de pobreza e ignorância construída ao longo do século XX, sobretudo, no período da ditadura militar.

Contudo, eu vejo que na atualidade esse processo imagético vem sendo modificado paulatinamente, pelas próprias oportunidades que estão surgindo no Piauí, para o Piauí e seu povo. Não ocupamos mais o lugar do outro na unidade nacional, começamos a fazer parte de uma identidade e estamos ganhando projeção dia a dia.

Acredito que essa evolução deve-se em grande medida ao processo educacional e é sentida, principalmente, no olhar do Sudeste em relação ao Nordeste e ao nosso Estado especificamente, contudo, quando analisamos o olhar dos nossos vizinhos sobre nós, percebemos ainda uma noção anterior, de um Piauí que não mais existe naqueles parâmetros.

Meio Norte - Como é possível vender uma melhor imagem do Piauí?

Ranielle Leal - A primeira coisa que se faz necessário compreender é que a imagem projetada de alguém ou alguma coisa é percebida pela experiência externa, porém direta, que ocorre entre as partes. A imagem do Piauí e os esteriótipos criados em cima da mesma não foram construídos aleatoriamente.

É preciso perceber e entender que de nossa identidade fazem parte processos constituintes e fundadores que revelam a seca, a pobreza e até mesmo a corrupção política, por exemplo.

Logo, para que possamos vender melhor uma imagem do Piauí é necessário sanar os problemas que temos.Essa é uma vertente extremamente necessária para que possamos trabalhar na área comunicativa, do mesmo modo como se faz em um ambiente político ou corporativo.

A outra vertente seria projetar idealmente os valores que constituem nossa identidade, assim como, os monumentos naturais ou históricos que nos representam e falam da riqueza de nossa terra e de nosso povo, com o cuidado de não querer sintetizar na Serra da Capivara e no Delta tudo o que há para ser valorizado no Piauí.

Meio Norte - Quais as potencialidades do Piauí e como é possível usar o marketing para atrair novos investidores?

Ranielle Leal -O Piauí precisa explorar os seus diferenciais. Nesse contexto, as potencialidades não podem ser vistas sobre o prisma da comparação com outros Estados mais evoluídos do ponto de vista econômico, mas devem ser visualizados pelo prisma das nossas peculiaridades.

Temos que transformar os acidentes geográficos, os nossos sítios arqueológicos preservados, a nossa culinária, as nossas bebidas, a nossa música, o nosso jeito de falar, a nossa forma de negociar, o calor, e tudo o que nos faz diferentes, em vantagens competitivas, frente ao restante do país.

Fazer da diferença uma vantagem, através da inovação e da criatividade, e assim nos destacar do ponto de vista mercadológico, para então atrair investidores.

Meio Norte - Qual sua visão de Piauí?

Ranielle Leal - Tenho uma visão realista. Estou consciente de que temos sérios problemas que passam principalmente, pelo processo educacional e cultural.

Sei que vamos demorar talvez algumas gerações para fazer com que todos entendam o mal de não se fazer uma coleta seletiva, ou, que venham usar capacete e obedecer as leis do trânsito, por exemplo. Mas sou, principalmente, otimista, acredito que estamos evoluindo em todos os aspectos da vida em sociedade.

Fonte: Jornal Meio Norte