Piauí ganha patente com adaptação para alimentação de deficientes

Alimentação

A maioria da população brasileira não encontra dificuldades  se alimentar durante as principais refeições do dia. Segurar um talher parece fácil, mas não para os deficientes visuais, que podem sofrer queimaduras no corpo e até pequenos cortes.

Mas tudo isso pode mudar graças a uma invenção de Carlos Amorim. Ele, que também é deficiente visual, conseguiu adaptar prato e talheres para quem não possui visão .A confirmação da patente de modelo de utilidade dos materiais acessíveis, a segundo do Piauí, proporciona uma atitude simples,mas eficaz.

Ele conta que a ideia de criar algo inovador surgiu após um momento constrangedor. Durante um evento, Carlos percebeu que uma companheira havia derrubado uma comida sólida, após declinar o prato. Em decorrência da ausência da visão, o alimento caiu na roupa, sujando por completo e deixando-a envergonhada.

“Aquilo me causou uma angústia muito grande. A partir disso ,passei a pensar em algo que pudesse evitar aquele transtorno. Pensei, e uma certa noite, sabia o que deveria fazer”,explica.

Em seguida, ele entrou em contato com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) do Rio de Janeiro (RJ). A partir de então ,foi informado que era preciso fazer um desenho, relatório e o protótipo .O processo durou quatro anos e o deferimento do pedido foi publicado no dia 29 de setembro de 2015. “Estou dando um presente para o Piauí pelos seus 193 anos. Agora, vamos trabalhar para produção, distribuição e comercialização. Temos algumas propostas, mas  vamos procurar outras parcerias”, afirma.

O prato possui uma barra (com elevação de cerca de 3 cm de altura) que serve de referência para que a pessoa, com deficiência visual,tenha durante a refeição. Já a segunda função é que o público conseguirá identificar a localização do alimento distribuído no prato.

A pessoa também não precisa mais colocar o dedo no ato na refeição, usada muitas vezes para “segurar” o alimento junto com o talher. “Nesse caso, não será mais necessário, pois a comida será amparada pela barra. Como também evitamos que a comida caia no indivíduo” ,explica.

Já os talheres possuem um ponto universal. Com isso, os deficientes saberão qual direção do talher deve ser usado. “Eu tenho habilidade para usar talher, mas muitas vezes me flagrei cortando algo com a parte das costas da faca. Isso será extinto, pois temos como identificar a parte correta”, relata.

Além disso, o modelo de utilidade abrange o deficiente físico com membro superior amputado, as crianças e os idosos com patologia neurológica. “Acredito que nosso modelo vai amparar,proteger e abraçar muitas pessoas que precisam de um apoio e auxílio durante as refeições”,finaliza.

Fonte: Pollyana Carvalho e Daniely Viana