Piauí registrou 279 casos de hepatite; 35 casos já foram notificados no ano de 2014

Piauí registrou 279 casos de hepatite; 35 casos já foram notificados no ano de 2014

Característica silenciosa e tratamento difícil são obstáculos para pacientes

No Piauí foram notificados 279 casos novos de hepatites virais em 2013, desses, 110 são ignorados; 64 são da hepatite A; 43 da hepatite B; e 58 da hepatite C, transmitida principalmente através do contato com sangue contaminado.

A esses dados já podem ser somados 35 novos casos notificados já em 2014. A coordenadora de epidemiologia da Secretaria Estadual da Saúde (Sesapi), Amélia Costa, afirma que a hepatite C é uma patologia especialmente perigosa por ter característica silenciosa.

?Os sintomas se confundem muito com problemas gástricos comuns, como a sensação de desconforto abdominal, que chamamos de ?empachamento? e quando se realiza um exame mais apurado, como o ultrassom, em um paciente infectado já se descobrem as complicações que vão desde a cirrose até o câncer?.

Essas complicações podem variar de intensidade ou podem não aparecer de acordo com as reações de defesa de cada organismo. O tempo que leva ao aparecimento das complicações graves também varia após o período de incubação.

A coordenadora Amélia Costa desmistifica a existência de grupos de risco para a doença e reforça que qualquer pessoa pode estar exposta à infecção pelo vírus HCV.

?Assim como a hepatite B, o contágio pode ser realizado por contato sexual desprotegido. Entretanto, é através do contato com sangue contaminado que se dá a maior via de transmissão. Fazemos alertas principalmente aos jovens, mulheres, sobre o compartilhamento de roupas, em relação às manicures que não esterilizam o material da maneira correta.

Tatuagens também são meios potenciais de transmissão do vírus quando não são adotados os cuidados apropriados para o trabalho. Mesmo com todo o material descartável, a tinta negligenciada também pode se tornar um ambiente possível para instalação e manutenção do vírus?, explicou.

Além das dificuldades impostas pelas características próprias da doença, o tratamento disponível, com a proteína interferon, possui uma lista enorme de reações agressivas e dificuldades na administração, que desencorajam a continuidade do tratamento pelos pacientes.

?O tratamento é administrado de maneira intravenosa e age de maneira agressiva no organismo, com reações que vão desde a icterícia (pele amarelada), até vômitos e pré -coma?, disse a coordenadora Amélia Costa.

Atualmente, a dispensação do tratamento no Piauí é realizada através do Sistema Único de Saúde , na Farmácia de Medicamentos Excepcionais da Sesapi e no Hemopi (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí).

Um novo medicamento já está na fase avançada de pesquisas e promete eficácia no tratamento de pacientes diagnosticados com Hepatite C em escala mundial.

A revolução terapêutica está em desenvolvimento pela empresa biofarmacêutica Abbvie, que iniciou operações no Brasil em janeiro deste ano e pode significar um impacto positivo ou esperança para 160 milhões de pessoas portadoras do vírus HCV, aproximadamente. No Brasil, a estimativa é que existam 12 mil pessoas em tratamento convencional com interferon.

Ainda sem nome comercial, a novidade está sendo chamada provisoriamente de 3D (três medicamentos de ação direta), com fármacos de uso oral e previsão de lançamento até o início de 2016 no país.

O tratamento será realizado a partir da combinação do inibidor de protease ABT-450/r (potencializado pelo ritonavir) + o inibidor de NS5A ABT 267 e o inibidor de polimerase não-nucleosídeo ABT 333.

A atuação dos medicamentos acontece com três mecanismos diferentes, que agem em diferentes partes do vírus, interrompendo sua replicação.

Nos seis estudos diferentes a que o tratamento foi submetido durante fase III de pesquisa, foram envolvidos 2.500 pacientes com Hepatite C tipo 1, a mais resistente a tratamentos. A cura virológica foi constatada em 96 % dos pacientes durante 12 semanas de tratamento.

Os pacientes que participaram do estudo apresentavam fases diferentes de evolução da doença. Alguns grupos estavam em estágio inicial, enquanto outros já apresentavam quadros cirróticos e outras complicações. No entanto, a resposta virológica foi a mesma.

Gabriela Muricy, gerente médica da Abbvie no Brasil, ressalta que as pesquisas representam uma verdadeira revolução no conhecimento sobre a Hepatite C. ?É um conjunto de medicamentos que deverão fazer um controle intensivo contra a replicação do vírus .

Esta é uma possibilidade de erradicação do vírus da doença?. Outra grande vantagem apontada por Gabriela Muricy é redução considerável dos efeitos colaterais em relação aos ocasionados com a administração de interferon.

Atualmente, a terapia convencional de controle da replicação de vírus em duração de mais de 40 semanas. A doença é considerada crônica, já que as chances de cura virológica são quase nulas e praticamente restritas aos pacientes recém infectados.

Estudos e terapias inovadoras alcançam patologias diversificadas

A respeito da área de virologia, novos estudos também devem apontar alternativas mais simples e eficazes para o tratamento das infecções pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que atinge principalmente bebês recém-nascidos e prematuros. Gabriela Muricy, gerente médica da Abbvie, anunciou que foram finalizados estudos que para a compreensão do comportamento do vírus respiratório no país.

"O estudo veio suprir uma necessidade de compreender melhor a patologia no Brasil e o impacto do VSR, especialmente entre os recém-nascidos prematuros do Norte e Nordeste do país. Atualmente, o vírus atinge 5% dos prematuros".

Outra novidade apresentada pela empresa é o largo investimento em biofarmacêutica que representa uma das áreas focais e representa 30% do interesse específico da companhia.

De acordo com o presidente da Abbvie, José Antônio Vieira, os medicamentos biológicos representam o futuro dos tratamentos médicos e são igualmente eficazes em relação aos medicamentos produzidos com moléculas químicas.

"A biotecnologia é extremamente moderna e trabalha diretamente com organismos vivos, por isso faz parte de uma produção mais complexa e que demanda maior investimento. Contudo, através dela é possível obter muito mais possibilidades de tratamentos e atuar especificamente em determinada fisiopatologia".

Fonte: Samira Ramalho