Piauí tem taxa de mortalidade por suicídio superior à do Brasil

A meta é que sejam desenvolvidas políticas de promoção e prevenção

“Por que meu filho cometeu suicídio? ”, esse foi o questionamento que a pedagoga Valdete Silva, de 41 anos, se fez após perder o filho de 19 anos, há 1 ano e 7 meses. Ela abriu o evento promovido pela Secretária Estadual de Saúde (Sesapi),  na quarta-feira (14), destinado a apresentação do boletim epidemiológico dos casos de suicídio no Piauí, à jornalistas dos veículos de comunicação locais. O depoimento foi para chamar atenção de que a mente humana também precisa de atenção especial e que é preciso responsabilidade na abordagem do tema.

“A pessoa com ideação suicida cria um mundo própria e muitas vezes não consegue pedir ajudar. Hoje eu consigo entender isso, mas muitas pessoas ainda não conseguem identificar, por isso é tão importante discutir de forma responsável”, afirmou. Ela acrescentou que não se deve ficar tentando encontrar justificativas e porquês, mas sim buscar encontrar ferramentas de ajuda e que questionamentos são doloridos.

A superintendente de Atenção Integral à Saúde (Supat), Cristiane Moura Fé, ressaltou que a Sesapi abre as portas para debater o tema, inclusive com uma determinação do secretário de Saúde, Francisco Costa, para criação de uma coordenação voltada para a problemática de suicídio, com atividades e capacitação dos profissionais da saúde para lidar com os casos. “Nós queremos quebrar tabus, romper paradigmas e trabalhar da melhor forma possível, assim como capacitar os profissionais da saúde para atender as pessoas”, disse.

O Piauí, segundo dados do Ministério da Saúde, mostrou-se com uma taxa bruta de mortalidade por suicídio superior à do Brasil e Nordeste, no período de 2010 a 2014, apresentando uma tendência crescente, quando se compara o ano de 2010 com o de 2014, com aumento de 18,75%.  No Piauí, para cada 100 mil habitantes, 7 praticaram suicídio em 2014. Segundo os dados apresentados, a faixa etária que mais chama atenção  é a de 20 a 29 anos.

Dados absolutos mostram que Teresina é o município com maior número de óbitos por suicídio, seguidos por Parnaíba e Picos. Os dados parciais até agosto de 2016 também chamam atenção, onde foram verificadas 521 tentativas de suicídio.

A partir da apresentação do boletim que descreveu o perfil da mortalidade e das tentativas de suicídio no Piauí, a meta é que sejam desenvolvidas políticas de promoção e prevenção à saúde. “Nossa visão é ter ação continuadas com mais ênfase, incentivar pesquisas e investir na capacitação de profissionais, principalmente na atenção básica”, enfatizou Cristiane Moura Fé.

A superintendente lembrou o papel do órgão em reconhecer os sinais de alerta dados pelos indivíduos que planejam cometer suicídio e assim poder evitar a consumação do ato, como também, identificar a prevalência dos determinantes e condicionantes do suicídio e tentativas, assim como os fatores e o desenvolvimento de ações intersetoriais de responsabilidade da saúde pública.

Grupo MN apresenta ações do “Mais Vida”

A apresentadora Maia Veloso, o coordenador de conteúdo da Rede Meio Norte, Marcos Monturil, e o repórter do portal e jornal Meio Norte, Waldelúcio Barbosa, participaram do evento representando o Grupo Meio Norte de Comunicação e apresentaram para os demais profissionais da imprensa as ações desenvolvidas pelo núcleo  multidisciplinar “Mais Vida”,  que  é formado por  psicólogos, especialistas, estudiosos e profissionais da saúde e comunicação para abordar o suicídio de modo que possa ajudar as pessoas a encontrar ajuda, além de quebrar tabus acerca do tema, com reportagens elaboradas e veiculadas através jornal impresso e online, portal e TV Meio Norte.

O objetivo foi mostrar a iniciativa como um ponto de referência para que outros canais de comunicação possam se mobilizar nesse sentido.  Na oportunidade, a jornalista Maia Veloso destacou a orientação que os profissionais do Grupo Meio Norte recebe de como devem ser feitas as abordagens em notícias que tratem sobre o tema suicídio e ressaltou a ousadia do grupo em criar um núcleo que precisar multiplicado no sentido de ser um modelo para discutir ações em relação ao suicídio.

“Foi super importante mostrar como o Grupo Meio Norte tem se mobilizado em relação a esse problema de saúde pública, percebemos que as pessoas ficaram surpresas em sermos um dos únicos veículos de comunicação no país que tem esse núcleo no sentido de discutir o tema. Nós sabemos que vamos acertar e errar, mas a nossa disposição é de não fugir a luta, por que precisamos quebrar o silêncio e estamos comprometidos com a qualidade do que vai ser apresentado para a sociedade”, pontuou.

Participaram do evento também membros do Hospital do Mocambinho, Hospital Getúlio Vargas, ProVida, Centro de Valorização da Vida(CVV), Conselho Regional de Psicologia(CRP21), Conselho Regional de Medicina(CRM), Secretaria de Estado da Educação, e universidades públicas e privadas de Teresina.

Programação 

A programação continua nesta quinta-feira (15), com a apresentação de um workshop "O suicídio como pauta na saúde", ministrado pela psicóloga da Unidade Integrada do Mocambinho, Valéria Raquel Alcântara Barbosa, no auditório do Hospital Getúlio Vargas(HGV). Logo depois, será exibido um documentário com o tema “Suicídio no Brasil”.

A Sesapi realiza também, a discussão da problemática em rodas de conversa e orientação à população, apresentação artística cultural e encerramento com a dança circular do Grupo Somos Saúde AS, no Parque da Cidadania, às 16h, com a participação das faculdades, Conselhos de Medicina, Psicologia e técnicos da Fundação Municipal de Saúde de Teresina.

 (Crédito: Gabriel Paulino)
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 (Crédito: Gabriel Paulino)
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Fonte: Waldelúcio Barbosa