Piauiense comprova ação anti-inflamatória do sebo de carneiro

Piauiense comprova ação anti-inflamatória do sebo de carneiro

Nos mercados e feiras populares, ou até mesmo na conversa com os nossos avós, é comum ouvir que o sebo de carneiro é um ‘santo remédio’ para diminuir a inflamação. 

A crendice passada de geração a geração, em muitas ocasiões, não é levada a sério e sequer tem sua efetividade comprovada, mas buscando estudar se essa tradição é mito ou verdade, o fisioterapeuta Marcelino Martins resolveu pesquisar em sua dissertação de mestrado os reais benefícios desta matéria-prima.

Desse modo, após meses de pesquisas e testes em laboratórios, em que foi induzida uma tendinite em cinquenta ratos, chegou-se a resultados surpreendentes. 

O tratamento em que a base foi o sebo de carneiro se mostrou mais efetivo que os convencionais, utilizados diariamente pelos médicos, reduzindo o número de células inflamatórias em sete e 14 dias, dependendo do método aplicado.

Estudo comprova sabedoria popular
Para Martins, um dos grandes objetivos é que o estudo seja popularizado e possa ajudar a comunidade em geral. “O tratamento com o sebo é mais barato, sendo que o nosso trabalho foi justamente mostrar que havia validade na sabedoria popular”, aponta. 




O pesquisador afirma que o uso caseiro não apresenta grandes diferenças da composição aplicada no laboratório. “Sua utilização diretamente, mesmo sem o uso de outros produtos, demonstra eficácia”, afirma.

A prática do tratamento com a matéria-prima é transmitida principalmente no interior e por ser encontrado facilmente no Estado reitera ainda mais a importância da descoberta.

“Nas cidades interioranas é difícil ver uma casa que não tenha o sebo de carneiro, é algo que já está impregnado na cultura local, e que é correto”, aponta o fisioterapeuta.

Agora, as atenções se voltam para a continuação nos estudos, de modo que possa evidenciar os efeitos benéficos do tratamento, visando atingir no futuro esferas maiores. 

O caso mostra que é possível encontrar alternativas para os procedimentos atuais, constatando a relevância na comprovação dos agentes cicatrizantes reverberados pela cultura piauiense. “Já recebemos o convite de cerca de 15 países para exibir o nosso trabalho”, destaca Martins.

Inovação 
As conquistas possibilitadas pela pesquisa mostram uma saída inovadora para o tratamento da tendinite, comum na prática esportiva (correspondendo entre 30% a 50%). 

“Tais lesões constituem-se em um grande problema de saúde nos países industrializados, precipitada nos dias atuais pela força de trabalho de uma mão de obra recente, com a ocupação das pessoas exigindo uma série contínua de movimentos repetitivos”, aponta o fisioterapeuta Marcelino Martins.

Além disso, o sebo de carneiro pode contribuir na melhoria de outros tipos de lesões, ou cicatrizes e problemas em geral. “Pode ser empregado nas sequelas de acidentes, por exemplo, na lombalgia, no auxílio ao tratamento de problemas respiratórios, ou seja, tem várias utilidades”, garante.

A popularidade do produto, contudo, deve estar ligada atenciosamente ao cuidado de não passar da dose, vale lembrar que estudos mais abrangentes serão realizados.

Nessa hora vale contar com o bom senso. O alerta também é para que essas medidas alternativas sejam informadas ao médico responsável, manter um elo saudável de comunicação é sempre o melhor caminho.

O sebo do carneiro pode ser também um aliado na diminuição da dor. “Várias propostas poderão ser utilizadas, tendo em vista a ampliação da utilização em patologias inflamatórias, como: artroses, artrites, bursites, algias em geral, na tentativa de contribuir para minorar a dor e os processos inflamatórios”, finaliza.

Venda é intensa 
No Mercado Central, em Teresina, é fácil encontrar produtos que utilizam o sebo de carneiro como matéria-prima, de gel a creme, o preço médio é R$ 5 e a promessa de benefícios é grande.

“As pessoas procuram bastante, todos eles vendem com frequência. Elas procuram para fazer massagem pra dor, e também pra passar no pé”, explica a comerciante Cleidiane Moraes.

O uso nos pés vai além e chega a ambicionar uma questão estética. “Eu estive passando o creme e já estão achando que as rachaduras neles diminuíram, e assim muita gente vem procurar o sebo de carneiro, fora que quando vem no potinho, vem cheiroso”, garante a vendedora Maria Sousa.

Com essa característica, a maioria do público que procura é o feminino, isso não significa que os homens deixem de adquirir os produtos. “Pra eles sai mais é o gel, para passar em alguma batida, ou depois do futebol”, conta Moraes.

O preço camarada é um atrativo que mantém o produto no topo das buscas e não deixa a tradição morrer. “É algo que é da nossa terra, por isso temos que pesquisar e estudar se realmente ele age de modo benéfico”, complementa o fisioterapeuta Marcelino Martins.

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Fonte: Francisco Lima e Francy Teixeira