Piauiense conquista medalha inédita em Olimpíada Internacional de Astronomia

Abrangendo uma educação séria e comprometida, os resultados aparecem de modo opulento e alçam o Piauí aos lugares mais altos do pódio.

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O ensino tratado com esmero, dedicação. Como meta, planos ousados e nunca antes alcançados. Ao todo, 39 países concorrentes, adversários que passaram por fases complicadas e carregam consigo a láurea de serem os melhores; no topo das aspirações está uma conquista inédita, louvável. O caminho não foi simples, abarcou horas de estudo; sacrifício necessário, contudo maleável para quem ama a área. Abrangendo uma educação séria e comprometida, os resultados aparecem de modo opulento e alçam o Piauí aos lugares mais altos do pódio.

Corroborando o sucesso do Estado em diversas competições do saber, no início deste mês, um resultado surpreendente cravou o nome do jovem Felipe Coimbra, de 16 anos, no hall de talentos nacionais; o estudante teresinense integrou a equipe vice-campeã da oitava edição da Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, disputada na Romênia. O título ficou com o Canadá e o terceiro lugar com a Lituânia. No total, foram cerca de oito provas até chegar a tão sonhada medalha. Nos anos anteriores o país havia se posicionado em posições intermediárias, o que tornou o resultado ainda mais relevante. “Foi uma experiência incrível, não tenho palavras para descrever. Ninguém esperava”, destaca Coimbra. O processo de preparação se estendeu desde o ano passado, quando ocorreu a seletiva nacional.

Detentor de duas medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Física, o estudante encarou a competição como um desafio e resolveu desbravar realidades até então pouco conhecidas. “Antes de começar a me dedicar a Astronomia, não possuía um conhecimento tão vasto, tive que buscar apostilas de universidades, livros e videoaulas para desenvolver minha capacidade na área”, aponta. Ele inclui que sempre contou com o apoio da escola na obtenção de material e orientação para o aprimoramento. “Há sempre o incentivo para participarmos destas provas”, impõe.

O desempenho espetacular do grupo brasileiro, que ainda obteve nas provas individuais dois bronzes e três menções honrosas, se confunde com mais uma grande vitória no campo das ciências exatas, onde o brasileiro Artur Ávila foi agraciado com a Medalha Fields, considerada o Nobel da Matemática. “Com certeza ele é um exemplo; o Brasil e o Piauí estão avançando aos poucos, o que condiz como um incentivo maior”, afirma Felipe Coimbra.

Orgulho da família

A sensação de ter o esforço reconhecido toma conta do estudante piauiense, conciliar a rotina escolar com a dedicação condizente à Olimpíada de Astronomia e Astrofísica exigiu um verdadeiro malabarismo, que mesmo assim não usurpou qualquer atividade, ou determinou o fim dos momentos de lazer. Felipe é um jovem como qualquer outro, apenas resolveu ir além, sair da fase comum de estudos e conquistar novos horizontes. O orgulho da família com os resultados é imenso, constata todo um trabalho de incentivo. Os objetivos ousados e marcantes não assustaram, afinal a sua capacidade nunca foi colocada em dúvida e hoje o sucesso da educação é postulado não apenas com medalhas, mas com a formação de um exemplo que se concretiza constantemente. “O sentimento é de satisfação. É o reflexo de uma horas de dedicação, recebemos essa medalha com bastante alegria”, conta a mãe do estudante Nilcileide Coimbra.

Os traços dessa trajetória passam a desenhar um belo futuro, repleto de boas iniciativas. “Ele está escrevendo sua história e nós temos apoiado”, finaliza. Quanto à carreira, Felipe já aponta para algumas perspectivas, no segundo ano do ensino médio, ele ainda possui um certo período para tomar a melhor decisão. “Não escolhi ainda, mas provavelmente será um curso relacionado a engenharia. Quero continuar seguindo na área de exatas”, propõe. A prova que levou os brasileiros ao segundo lugar, foi elaborada no país sede da etapa final, ou seja, na Romênia; sendo que o grau de dificuldade é altíssimo. Para se ter ideia, na última edição, os grupos tiveram uma hora e trinta minutos para calcular a trajetória de dois mísseis que deveriam atingir um asteroide, em rota de colisão com a Terra, e desse modo salvar o planeta. No ano passado foram 800 mil inscritos na competição apenas no Brasil, ou seja, a medalha é uma conquista imensurável já que engloba o mundo inteiro.




Fonte: Francy Teixeira