90% da droga nos presídios entra com ajuda da família

“Muitas vezes, as famílias pedem para que o detento não vá para pavilhão A ou B, para não acabar assassinado por dívida”, disse diretor de presídios

Junto com a superlotação, cresce a cada dia a violência dentro dos presídios do Piauí, ao ponto de haver tráfico de drogas dentro das prisões, e até assassinatos por dívidas e disputas pelo tráfico. Em 2012, 11 mortos nos presídios do estado. Há casos como o do traficante José Maria Cobra, morto em 2011, que tanto traficava dentro do presídio, como chefiava o tráfico em Parnaíba e na Vila Irmã Dulce, em Teresina.

O diretor de presídios da Secretaria de Segurança, Ancelmo Portela, conta que o crack piorou ainda mais esse tipo de situação.?O crack trouxe uma auto-aniquilação dos presos?, disse. Segundo ele, por ser uma droga barata e de efeito rápido, o usuários usam várias vezes por dia e ele fica rapidamente endividado. ?Muitas vezes, as famílias pedem para que o detento não vá para pavilhão A ou B, para não acabar assassinado por dívida?, disse Ancelmo Portela.

O delegado de entorpecentes Willame Morais disse ao meionorte.com que existe uma grande dificuldade, por parte do sistema prisional se impedir a entrada de drogas nos presídios. ?Mais de 90% quem leva é a família dos presos?, disse o delegado. As famílias passam a droga através das visitas, que é um direito dos presos. ?Com tanta gente dentro dos nossos presídios e os direitos, fica difícil coibir esse tráfico?.

Mas para o advogado Gustavo Vasconcelos, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ?Há uma parcela de diretos que devem ser preservados?. O direito a visita, para ele, não é o problema, e sim a falta de estrutura das prisões. ?Esse tráfico dificilmente aconteceria em presídios federais, com um prisioneiro por cela, um número bom de agentes. O número de agentes que temos no Piauí é ridículo, é minúsculo?, comentou.

Fonte: Andrê Nascimento