Acusado de planejar roubo de provas do Enem diz em entrevista que agiu de "boa fé"

Pradella tem 32 anos, é corretor de imóveis e está desempregado.

O principal suspeito de planejar o roubo das provas do Enem, disse neste domingo (11) ao Fanstástico que agiu de "boa fé". Segundo Felipe Pradella, a inenção era "alertar para a fragilidade da segurança". "O que eu queria fazer era mostrar que o Enem não era tão seguro?, disse Pradella ao Fantástico.

Pradella tem 32 anos, é corretor de imóveis e está desempregado. Em setembro deste ano, ele arrumou um emprego temporário. Foi trabalhar como conferente para o consórcio Conasel, contratado pelo governo federal para elaborar o Enem. O serviço era dentro da gráfica Plural, onde as provas foram impressas. É Pradella quem aparece em imagens da câmara de vigilância, segundo a Polícia Federal, roubando um dos testes.

?Eu não roubei prova nenhuma. E esse papel era o papel de um dos testes aonde que eu anotava. Eu tinha uma planilha onde eu anotava tudo o que entrava aqui e o que saia", afirmou Pradella.

De acordo com a investigação, no dia 21 de setembro, Pradella pegou a prova e a entregou a uma segunda pessoa, Marcelo Sena, que também era conferente e funcionário temporário do consórcio. ?Eu fui descobrir que o Marcelo pegou a prova só na Polícia Federal?, garantiu Pradella.

Contudo, não é o que Marcelo Sena disse em depoimento obtido com exclusividade pelo Fantástico. Sena afirmou que foi Felipe Pradella quem insistiu para que ele, Sena, retirasse a prova da gráfica. No dia anterior, 20 de setembro, já tinha acontecido outro roubo, que não foi flagrado pelas câmeras. Nesse caso, segundo a PF, quem retirou as provas foi um terceiro funcionário do consórcio, chamado Filipe Ribeiro. Ribeiro disse que levou a prova escondida dentro da calça e só fez isso a pedido de Pradella.

Já Pradella alega que sem ele ter pedido, Filipe Ribeiro lhe entregou a prova. Pradella conta ainda que com esse exame em mãos ligou para um amigo, o DJ Gregory Camillo. ?Ele me deu a idéia e falou: ?meu dá pra fazer um furo jornalístico e ganhar um dinheiro??, disse Pradella.

Gegory Camillo contou outra história à polícia. Ele disse que a idéia de vender foi de Pradella, que fixou o valor em R$ 500 mil. Ao Fantástico, por telefone, o DJ confirmou o que disse à polícia. ? [A ideia] foi toda dele (Pradella)?, disse.

"Eu não queria ganhar dinheiro, eu queria divulgar. Quantas pessoas de má índole devem ter pegado essa prova?, se defende Pradella.

Investigação A Polícia Federal disse que o inquérito vai ajudar a reforçar o sistema de segurança para a realização de outras provas. ?Com relação à fragilidade do sistema de segurança, isso vai ser ressaltado no inquérito policial para nos próximos concursos aprimorarem o sistema", disse Marcelo Sabagin, delegado da PF.

Roubo

Depois de um encontro com Pradella e Gregory Camilo, no dia 30 de setembro, jornalistas de o Estado de S. Paulo noticiaram o vazamento. A prova foi cancelada e remarcada para dezembro.

A Polícia Federal já concluiu o inquérito Os supeitos foram acusados por furto, violação de sigilo e extorsão da jornalista que denunciou a fraude. Ela disse que depois da publicação um homem fez ameaças por telefone e exigiu dinheiro dela.

A advogada de Pradella diz que seu cliente é inocente da acusação de furto, já que ele diz não ter tirado a prova da gráfica, e inocente da acusação de extorsão contra a jornalista.

?Ele nunca teve os telefones da jornalista, então ele vai responder, sim, pelo ato que ele cometeu, que é a violação de sigilo?, diz a advogada Claudete Silva.

?Me sinto como alguém que tentou alertar, mas não como inimigo de ninguém?, disse Pradella.

Fonte: g1, www.g1.com.br