Alunos e frequentadores reclamam da falta de segurança e transporte na Uespi

Alunos e frequentadores reclamam da falta de segurança e transporte na Uespi

Comunidade reclama que ônibus não circulam pelo entorno da universidade depois da 19 horas. A Uespi alega que foram realizados investimentos para manter a segurança no campus

Férias escolares são sinônimo de evasão nas unidades de ensino por parte dos alunos. Porém, nas universidades, alguns estudantes dedicam o período para estudar nas bibliotecas, e ainda os bolsistas que não têm estipulado o período de férias. O problema ocorre pela demora, e até falta de transporte público para esses alunos, que denunciam desvio de rota por grande parte dos ônibus.

No Bairro Pirajá, zona norte de Teresina, fica localizada a Universidade Estadual do Piauí (Uespi). Na região, os moradores também reclamam dos horários dos ônibus.

A população relata que durante o período de férias os ônibus de determinadas linhas passam pela Rua Ceará, no sentindo centro e bairro, somente até as 19 horas, ou seja, eles cortam caminho por outras vias.

Por isso, os moradores confirmam que o problema com transporte agrava ainda mais durante o período. Um dos moradores do bairro Pirajá e estudante do curso de Física na Uespi, Flávio Viana, tem conhecimento dos problemas que passam, tanto os vizinhos, como os amigos que utilizam a universidade.

“Acredito que a frota de ônibus é reduzida para quem faz esse percurso no período das férias. Por isso, tem uma espera maior, se perder um desses ônibus. Às vezes penso que como não tem ninguém que vai descer na Uespi, eles cortam caminho”, conta.

O estudante ainda conta que já sofreu violência urbana próximo à universidade, e que hoje toma algumas precauções. “Em 2014 fui assaltado na Rua Ceará, bem perto da Uespi, à noite, é bem perigoso andar por ali a noite.

Por isso sempre ando atento, procuro ir pelas ruas que acho “menos perigosas “ e se possível não ando só, além de não andar com nada que chame muita atenção dos bandidos”, explica.

A estudante do curso de Comunicação Social, Ohana Luize, usufrui da universidade no período e férias, pois considera a mesma, além de um lugar de ensino, um local de convivência social, porém já sofreu por conta do atraso dos ônibus.

“Durante as férias muitos alunos vão à biblioteca, salas e às praças da Uespi para estudos ou reuniões dos mais diversos grupos. Eu e outros colegas que frequentamos a universidade nesse período já passamos mais de uma hora esperando ônibus, e especialmente os que fazem linha para o centro demoram mais. Sem falar que tem pessoas trabalhando na universidade que também precisam de transporte”, afirma.

Sendo assim, a reportagem entrou em contato com o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut), que informou não estar ciente dos desvios de rotas e falta dos ônibus próximos ao campus da Uespi, e que iria verificar o ocorrido. Porém, até o fechamento da matéria, não tivemos mais retorno.

Jovem foi assaltada em frente à Universidade Estadual

Além da falta de transporte, os casos de violência acontecem a qualquer momento e os mais graves durante a noite, como os assaltos a mão armada. Foi o que ocorreu com a recém-formada no curso de Letras-Inglês, Socorro Burlamaqui.

A jovem mora no bairro Acarape, próximo a universidade, e após conseguir a graduação, iniciou os estudos na biblioteca da universidade para um concurso público. Porém, ela relata que não esperava o que ia acontecer.

"Era noite e eu ia entrar no campus da Uespi. Quando estava em frente, dois homens pararam em uma moto e falaram para eu passar meus pertences, como notebook e celular. Já registrei boletim de ocorrência, pois a Uespi deveria ter uma maior segurança", conta.

Socorro diz que agora só voltará a seus estudos após o término das férias na universidade. "Tenho costume de ir estudar na Uespi, pois é um ambiente agradável.

Entretanto, o que me incomoda são os riscos de assalto, pois o instituto de ensino fica vazio no período de férias das aulas, ou melhor, piora. Por conta disso, é muito perigoso ir a universidade nessa época, mesmo que seja minha única opção mais próxima de casa, caso continue, serei obrigada a me deslocar para outro local", finaliza.

Universidade afirma que há segurança no campus

De acordo com a página eletrônica da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), o campus Poeta Torquato Neto, campus central de Teresina, está equipado com sistema de segurança.

A universidade conta com monitoramento eletrônico com a instalação de 236 câmeras, oferecendo maior segurança e inibindo atos de violência dentro do campus. Ainda, as imagens das câmeras de segurança ficam armazenadas por 30 dias, com tecnologia de zoom e back-up.

Reitor assina convênio com a Polícia Militar

Na manhã desta quinta-feira (26), o reitor da Universidade Federal do Piauí, José Arimatéia Dantas Lopes, recebeu em seu gabinete o comandante da Polícia Militar do Piauí, coronel Carlos Augusto Gomes, para assinatura de um convênio entre as duas instituições.

O convênio consiste em viabilizar o atendimento a todas as unidades especializadas de cavalaria, de cães farejadores e do batalhão ambiental. Para o reitor da Ufpi, esse convênio será importante não apenas para a Universidade, mas para o Estado do Piauí.

"É importante que a Ufpi possa dar esse apoio à Polícia Militar quanto aos cuidados com a sua cavalaria e com seus cães. E para a comunidade acadêmica, nós vamos criar mais oportunidades de estágio para os estudantes de Medicina Veterinária.

A Ufpi está caminhando no sentido de fazer parcerias com diversos órgãos, para que a Universidade possa marcar presença fora de seus muros e possa aumentar ainda mais a sua contribuição para as ações do Estado do Piauí", declara o reitor.

Segundo o coronel Carlos Augusto, o convênio vai fortalecer o vínculo que a PM tem com a Universidade. "Os comandantes, tanto da cavalaria, quanto do canil e batalhão ambiental, já têm uma relação com os profissionais da Ufpi e esse convênio vai permitir que esse trabalho continue e que possamos dar um melhor atendimento tanto às pessoas quanto aos animais", destaca .

O comandante da Polícia Militar afirma ainda que será feito um sistema de rodízio com os profissionais dessas unidades especializadas para atender a demanda da Universidade.

"Atualmente o efetivo da cavalaria da Polícia Militar conta com 74 profissionais, o Batalhão Ambiental com mais de 80 profissionais e o do canil com 23. Estaremos trabalhando em forma de rodízio para que todos os profissionais da Ufpi tenham um bom aprendizado", finaliza o comandante da PM.

Fonte: Thays Teixeira e Daniely Viana