Anna Carolina pode voltar às ruas em oito anos; Alexandre Nardoni em dez

Anna Carolina pode voltar às ruas em oito anos; Alexandre Nardoni em dez

Lei permite que casal solicite regime semiaberto depois de cumpridos dois quintos da pena

Alexandre Nardoni, que aos 31 anos foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão em regime fechado pela morte de sua filha, Isabella Nardoni, e Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina, que aos 26 anos recebeu pena de 26 anos e oito meses de reclusão pelo crime, podem voltar às ruas em até 10 anos.

Caso comprovem bom comportamento, ambos têm direito de solicitar regime semiaberto após cumprirem dois quintos da pena, de acordo com a lei brasileira. Isso pode vir a acontecer para o pai da menina em cerca de dez anos. Para a madrasta, em oito anos e meio. Em ambas as previsões já estão descontados os cerca de dois anos em que ambos ficaram detidos, aguardando o julgamento.

Se a liberdade condicional for solicitada pela defesa do casal e for concedida pela Justiça, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá poderão deixar o presídio durante o dia e retornar apenas para pernoitar.

O livramento condicional, que permitiria que eles deixassem definitivamente a cadeia, só pode ser solicitado depois de cumprido dois terços da pena. No caso dele, em 2030. No dela, em 2027. Alexandre Nardoni estará então com 51 anos. A madrasta, com 43.

O casal foi considerado responsável por asfixiar e jogar pela janela do sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo, a criança que, na época, tinha 5 anos. Condenados por homicídio doloso triplamente qualificado, tiveram a pena acrescida de mais oito meses por crime de fraude processual (alteraram a cena do crime), que eles poderão responder em regime semiaberto. Foi negado aos dois o direito de recorrer da sentença em liberdade.

A pena de Nardoni foi maior que a de Jatobá porque o crime que ele cometeu, segundo a Justiça, foi contra um descendente (no caso, a filha). A decisão foi aclamada pelo público em frente ao Fórum de Santana, que chegou a soltar rojões em comemoração à condenação do casal.

Manifestações públicas

A Polícia Militar estima que cerca de 200 pessoas, sem contar com a imprensa e profissionais que trabalharam no julgamento, estavam concentradas em frente ao fórum nesta madrugada.

Para garantir a segurança no transporte dos participantes do júri e dos condenados até o presídio, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) isolou faixas de trânsito em frente ao fórum. Apenas uma ficou transitável. Mesmo assim houve confusão.

Assim que o semáforo fechou na avenida Engenheiro Caetano Álvares, em que se localiza o fórum de Santana, na zona norte da capital paulista, um grupo foi para a rua aos gritos de justiça. Ao fundo, tocava a música tema da vitória do piloto Ayrton Senna.

Policiais soltaram bombas de gás e spray de pimenta para dispersar o público que batia nos dois caminhões que transportavam os condenados. Algumas pessoas passaram mal.

O crime

Isabella Nardoni morreu após cair da janela do sexto andar do Edifício London, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo. No apartamento, moravam o pai dela, Alexandre Nardoni, a madrasta, Anna Carolina Jatobá, e os dois irmãos menores. A menina morava com a mãe e passava alguns dias com o pai.

O crime aconteceu à noite, depois que o casal e a menina voltaram para o apartamento deles após um passeio. Nardoni e Jatobá afirmam que uma terceira pessoa, nunca identificada, invadiu o local e jogou a menina, que tinha cinco anos, depois que o pai a deixou no quarto e voltou para o carro para a ajudar a mulher a levar para o apartamento os dois filhos pequenos do casal, que estavam adormecidos.

A acusação defendeu durante o julgamento que eles estavam no apartamento na hora do crime.

Peritos da Polícia Civil disseram à época que Isabella foi espancada e esganada dentro do apartamento antes de ser jogada pela janela do sexto andar. Dias depois, a polícia afirmou que não existia uma terceira pessoa no apartamento na noite da morte de Isabella.

Com isso Alexandre e Anna foram acusados pelo crime e presos. Em quase dois anos de prisão, eles nunca disseram ter matado Isabella e nem se acusaram mutuamente pelo crime.

Fonte: r7