Após 14 horas, empresário que fez própria filha de refém é capturado

Além da filha, namorada do empresário também estava na casa.

O empresário Edgar Golçalves, de 50 anos, manteve a filha, de 15 anos, refém dentro da própria casa por aproximadamente 14 horas, no loteamento Alto Dona Augusta, no bairro Campo Grande, em Cariacica, na Grande Vitória. Além da filha, a namorada do empresário também estava na casa. A negociação com a polícia terminou por volta de 5h 20 desta terça-feira (15) e não deixou feridos. Na residência não foram encontradas armas de fogo, apenas facas e facões. O homem foi levado para o Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) do município. Segundo a polícia, a disputa por terrenos da família seria o motivo do cárcere privado.


Após 14 horas, polícia prende homem que manteve filha refém

A polícia informou ainda que o Edgar Golnçalves responde a um inquérito por ter atirado contra um carro da polícia há alguns meses na mesma região em que mora. Os militares informaram que durante toda a ação, o empresário estaria sob o efeito de drogas e se alterou após uma discussão com a ex-esposa, que fez a denúncia ao Centro Operacional de Defesa Social (Ciodes).

De acordo com o comandante do Batalhão de Missões Especiais (BME), tenente coronel Ramalho, o empresário demonstrava muita resistência durante a negociação. ?Foi difícil manter diálogo. Ele estava muito confuso e não conseguia se expressar com clareza. Dizia que se a polícia entrasse, explodiria tudo e que todos iam morrer. Ele jogou óleo em torno da casa, mas ainda não sabemos o teor inflamável do produto?, detalhou o tenente coronel.

Para o comandante, o fato da casa ser gradeada e ter película protetora solar dificultou a operação, já que impossibilitava a visualização do interior da residência. ?Quando amanheceu, ele já estava cansado, debilitado e abriu a janela. No momento, observamos que ele não oferecia ofensividade para as pessoas. Utilizamos uma arma de choque para neutralizá-lo e conseguimos resgatar as vítimas com vida?, explicou Ramalho.

Vítimas

Já no Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Cariacica, a namorada do empresário, Rafaela Marquese, de 28 anos, disse que não foi mantida refém e não se sentiu ameaçada pelo namorado. Ela informou que Edgar Gonçalves, em nenhum momento apontou armas e sabia que ele não ia fazer nada de mau. Disse ainda que o empresário estava nervoso e confuso. Contou que o namorado jogou óleo de cozinha velho em volta da casa, mas ficou tranquila. Rafaela disse que vai continuar com Edgar, mesmo com tudo o que aconteceu.

A filha de Edgar Gonçalves também foi levada para o DPJ, mas foi orientada pela mãe a não falar com a imprensa.

Negociação

Segundo o tenente Doelinger, do Batalhão de Missões Especiais (BME), além da filha, a namorada do empresário estava na casa. A polícia informou que o homem tomava conta das finanças da família e, por causa do problema dele com as drogas, os familiares resolveram interditá-lo. ?Acreditamos que essa seja a causa da discussão?, disse o tenente, que alegou que a polícia foi mantida na região para dar segurança a todos os envolvidos.

Na tarde desta segunda-feira (14), as ruas do entorno e a Avenida Edgar Gonçalves, que liga o loteamento à Avenida Expedito Garcia, foram isoladas pela polícia por causa do risco de explosão de um botijão de gás e moradores foram retirados das residências. A polícia disse que durante um surto, o homem teria dito que colocaria fogo no material inflamável.

Inicialmente, testemunhas disseram que a menina teria ido passar o final de semana na casa do pai, que não a deixou ir embora. A mãe da menina ficou do lado de fora, em estado de choque. Mas, segundo o Doelinger, a garota mora na casa.

De acordo com moradores, o homem tem sinais de esquizofrenia, mas o quadro não foi confirmado. Nenhum familiar se posicionou sobre o fato.

Tropas da Companhia de Operações Especiais (COE), específica para casos com reféns, foram encaminhadas ao local. Atiradores de elite e negociadores do Batalhão de Missões Especiais (BME) e o Corpo de Bombeiros também foram deslocados ao atendimento.

Fonte: Terra