Após duas prisões, polícia busca outros 2 suspeitos por morte em boate

Crime foi solucionado em 12 horas, diz delegado

Policiais da Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil, que prenderam na noite de sexta-feira (29) dois suspeitos da morte de Rodrigo Henrique Ribeiro Andrade Chagas, de 23 anos, na saída da Casa Rosa, boate em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, estão à procura de outros dois suspeitos já identificados e que estão foragidos.


Após duas prisões, polícia busca outros 2 suspeitos por morte em boate

Caio Luiz Barros de Lima, o Pacotão, goleiro da seleção brasileira júnior de pólo aquático, e Henrique de Brito Vieira, o Henriquinho, ambos de 22 anos, foram presos no apartamento de Henrique, na Urca, também na Zona Sul, segundo informou o delegado titular Rivaldo Barbosa, da DH, neste sábado (30). Gabriel Macedo Pires, o Gabiru, de 23 anos, e Pedro Luiz de França Neto, o Japa, de 24, estão foragidos. Eles também teriam participado do crime.

Na casa de Henrique, a polícia apreendeu R$ 49.950, um cordão de ouro que o próprio preso avaliou em R$ 16 mil, drogas e quatro celulares. Ele tem anotações criminais por desacato, desobediência e resistência. Já Gabriel, foragido, responde por dois crimes patrimoniais, roubo, furto e uso de drogas.

Os quatro suspeitos tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça e vão responder pelos crimes de formação de quadrilha, homicídio consumado e três tentativas de homicídio. Segundo o delegado, eles teriam atirado contra todo o grupo, mas só Rodrigo acabou atingido.

Rivaldo ressaltou que o crime foi resolvido em menos de 12 horas.

Depois de nove horas de depoimentos de testemunhas e com a análise das imagens de câmeras da região, às 16h de sexta os policiais já tinham esclarecido a dinâmica do crime e identificado os suspeitos. Rivaldo fez um apelo para que Gabriel e Pedro Luiz se entreguem.

"Queríamos esclarecer esse crime antes do enterro da vítima. Esse crime é fruto da banalização da violência, que é inaceitável nos dias de hoje numa grande metrópole, como o Rio", disse.

Um Ford Fusion, usado para praticar o crime, também foi apreendido pelos policiais. O carro foi usado por Henriquinho, na cobertura aos outros três suspeitos, que estavam em outro carro ainda não encontrado.

Para o delegado adjunto Allan Duarte, que coordenou a investigação na noite de sexta, o grupo de Caio, que é da Urca, discutiu com o grupo de Rodrigo, que é de Botafogo. Caio deu um soco no rosto de Rodrigo e, em seguida, foi retirado da boate pelos seguranças. Ele contou que discutiu "por bobeira".

Expulsos da boate, ele, Pedro e Gabriel foram à casa de Henrique, na Urca, onde Gabriel pegou a arma, uma pistola 9mm. No percurso de volta à Laranjeiras,eles contatara Henrique, que foi escoltando o grupo. Ao chegar no fim da madrugada à porta da boate, Gabriel, segundo o suspeito, disparou contra o grupo de Rodrigo.

"Discutimos por bobeira lá dentro (da boate), porque ele estava encarando. Não sabia que o Gabriel ia atirar, não sabia o que ele ia fazer. Acho triste ele (Rodrigo) morrer assim do nada. Aconteceu", disse Caio, ao ser apresentado, na delegacia.

Segundo o delegado Duarte, equipes da DH continuam em diligência para encontrar os dois fugitivos, inclusive fora do Rio. Por causa do material encontrado na casa de Henrique, ele também deverá responder por tráfico de drogas. Para ele, confirmar que o crime se trata de uma briga de gangues ainda é precipitado.

"Ainda estamos investigando a motivação inicial do crime. Como o trabalho ainda não acabou é cedo para afirmar que isso é uma briga de gangues", disse o delegado, acrescentando não poder ainda dar informações sobre a arma usada no crime.

A vítima vivia com a mãe e o irmão em Botafogo, também na Zona Sul, e sonhava ser sargento do Exército.

?É a banalização da violência. Pessoas que vão ali pra se divertir, fazer relação e sai dali morto. Não podemos admitir, a população do Rio não pode admitir e tem que se indignar. Indignar significa agir, vá até a Divisão de Homicídios, utilize o Disque Denúncia, para que essas pessoas que praticaram essa conduta violenta possam ser presas e responder na justiça?, disse Rivaldo Barbosa.

Fonte: G1