Após onda de ataques por morte de bebê, delegada é exonerada

Após onda de ataques por morte de bebê, delegada é exonerada

Decisão foi publicada no Diário Oficial da Bahia deste sábado (19). Segundo coordenador, ato foi para "preservar delegada e instituição".

A delegada titular da Delegacia do Município de Amargosa, na Bahia, Glória Isabel Santos Ramos, foi exonerada do cargo de acordo com publicação do Diário Oficial da Bahia deste sábado (19). O anúncio foi feito três dias após a revolta que ocorreu na noite da última quarta-feira (16) por causa da morte de um bebê.

Segundo a publicação, o lugar de Glória Isabel será ocupado pelo delegado Adilson Bezerra de Freitas, que estava na cidade de Castro Alves, recôncavo baiano. O coordenador do Departamento de Polícia do Interior (Depin), Moisés Damasceno, informou que a decisão foi motivada para "preservar a delegada e a instituição". Ainda não foi definido o novo local de trabalho da ex-delegada de Amargosa.

Nove dos 14 presos libertados em Amargosa durante a revolta foram recapturados. O tenente-coronel Luziel Andrade, do 14º Batalhão de Polícia Militar, informou neste sábado que 10 armas também já foram recuperadas pela polícia. Trinta motos, 18 carros e um ônibus foram incendiados durante a ação de um grupo de moradores.

O tenente-coronel afirma também que a Tropa de Choque deslocada para fazer o apoio no patrulhamento no município retornou para Salvador. Atualmente, a cidade conta com o apoio de três guarnições da Companhia de Ações Especializada do Litoral (Cael), cada uma com 15 homens, mais o efetivo de 16 policiais de Amargosa e da região.

O policial civil suspeito de atirar e matar a criança prestou depoimento na Corregedoria da Polícia Civil, em Salvador, na quinta-feira (17). Ele nega ter atirado na criança e a Polícia Civil informa que só a perícia vai poder constatar a origem do disparo. O policial militar que estava com ele durante a ação também foi ouvido pela delegada Andreia Cardoso. Os dois foram liberados após prestarem depoimento.

Rotina

A delegacia da cidade, destruída durante a revolta e que corre o risco de desabar, começou a ser reconstruída. De acordo com a assessoria da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), órgão responsável pelas obras, no momento está sendo feita a retirada dos entulhos. Não há uma data definida para a entrega das obras.

Após o caos, os moradores de Amargosa estão retomando as atividades normalmente. O comércio, que chegou a fechar as portas, reabriu e as escolas voltaram a funcionar na sexta-feira (18).

Versões do crime

O policial civil suspeito do crime informou que perseguia um homicida foragido da Justiça. Ele relatou que, antes, recebeu um telefonema que denunciava a presença do traficante "Bolacha" no bairro Catiara. Segundo a Polícia Civil, a denúncia recebida informava que o traficante estava desmontando uma motocicleta furtada do Fórum da cidade. Ao se dirigir ao local, a equipe policial teria visto o traficante, de prenome Ricardo, acompanhado de dois homens. O policial informou que ele escondia uma arma sob a camisa e reagiu à abordagem atirando.

O policial afirmou que atirou duas vezes em direção ao suspeito em via pública, negando ter disparado dentro da casa da criança ou no quintal. Afirmou que o traficante entrou na casa e que uma mulher já saía de um dos cômodos com uma criança ferida nas mãos. O policial alega ainda que socorreu a criança.

A versão é contrária aos relatos dos familiares e dos moradores, que negaram ter tido troca de tiro, apontando a ocorrência de apenas três disparos. O pai da criança, Luis Carlos Silva, de 22 anos, disse que uma pessoa entrou na casa e um padeiro disse que essa pessoa era ele. Familiares confirmaram que os policiais prestaram socorro, mas depois de insistência. "Eles só deram socorro e levaram minha filha para o hospital porque a população chegou em cima", disse o pai.

Sofrimento da família

Muito abalado e amparado por amigos, o comerciante Luis Carlos Silva, de 22 anos, chegou por volta das 15h para o velório da única filha, de apenas um ano e um mês.

A menina foi baleada na cabeça no momento em que estava no colo do pai, no sofá.

"Estava com minha filha no braço, vendo televisão, ela me dando beijo, quandos os dois policiais entraram e atiraram. Ela foi baleada no meu colo. Eles nem ligaram para dar socorro, mandaram eu ir para a desgraça", disse.


Após onda de ataques, delegada de Amargosa é exonerada

Fonte: G1 Globo