THE: Arrombamentos ocorrem no período da manhã na zona Leste

Nas férias os arrombamentos se tornam mais comuns em qualquer parte do mundo, mas em Teresina os criminosos não costumam esperar por esse período


Arrombamentos ocorrem no período da manhã na zona Leste, diz polícia

Na zona mais nobre de Teresina, os edifícios de luxo se misturam com lojas de grifes famosas e estabelecimentos que marcam a cena cultural da cidade. Seria o ambiente perfeito, não fosse o índice crescente de violência que assola a região. Os índices de assaltos, furtos e arrombamento a residências continuam sendo uma triste constante no dia a dia dos moradores da zona Leste.

Assaltos a mão armada no meio da rua já não são mais novidade da zona Leste. Os moradores têm sua rotina afetada e estão descontentes com a sensação de insegurança. A estudante Lorena Carvalho conta que já sofreu duas tentativas de assalto nas proximidades de casa, no Bairro Ininga. Felizmente, conseguiu escapar sem nenhum prejuízo. ?Da primeira vez o assaltante anunciou voz de assalto, mas estava sem nenhuma arma. Desafiei-o e me recusei a entregar meus pertences. Corri antes que ele fizesse algo comigo?, relata a universitária.

Hoje em dia ela evita sair a pé pelo bairro. E quando o faz, procura não levar nenhum objeto de valor. O baixo número de transeuntes nas ruas e o pouco policiamento são um prato cheio para os assaltantes, que aproveitam o pouco movimento nas ruas da zona Leste para praticar seus delitos. Eles geralmente andam de moto e aproveitam as horas menos movimentadas do dia. No caso das residências, os arrombamentos ocorrem no horário da manhã, quando os moradores estão no trabalho ou na escola.

Cerca elétrica e câmeras de segurança não colaboram mais para a sensação de segurança. Segundo o delegado do 12º Distrito Policial, Ademar da Silva Canabrava, agora os ladrões fazem buracos nos muros para poder assaltar com tranquilidade. ?Essas medidas de segurança estão ultrapassadas para os assaltantes. Eles sempre encontram um jeito de roubar sem serem pegos?, constata o oficial.

A polícia faz tudo o que pode para controlar os casos de assalto, mas o contingente de servidores é insuficiente para dar conta de tantas ocorrências. ?Precisamos aumentar o contingente de servidores, assim como investir ainda mais em segurança pública. Os cidadãos que se sentirem prejudicados com a falta de segurança podem solicitar policiamento por viatura no Batalhão da Polícia Militar?, pontua o delegado.

Em seis meses, polícia apreendeu 22 veículos

Buscando assegurar conforto para todos os cidadãos, a Polícia Civil trabalha insistentemente para diminuir a criminalidade na zona Leste. Segundo o delegado Ademar da Silva Canabrava, nos últimos seis meses foram apreendidos 6 carros e 16 motos usados para a prática de delitos.

?Assim que é liberada a maioria desses veículos volta a ser usada no crime. Já confiscamos motos que tinham sido liberadas uma semana antes. Eles usam veículos de qualidade e com a documentação em dia. Assim, se forem parados em uma bliz, podem seguir normalmente, como um usuário comum?, explica o delegado.

Já o capitão Overath Teles, do Ronda Cidadão, conta que atualmente se estuda um plano com o policiamento geral para tentar coibir tais atos. O plano será feito em conjunto com a Policia Militar e prevê a inclusão de quatro viaturas para as regiões mais problemáticas.

O capitão Teles conta que a estratégia utilizada pelo Ronda Cidadão até aqui tem sido aproximação com a comunidade, na tentativa de diminuir o fosso entre esta a polícia. A estratégia procura também localizar onde está localizado o tráfico de drogas. ?Temos utilizado medidas educativas, já que a polícia comunitária procura não agir na repressão, procuramos um tratamento mais humanizado?, diz.

Moradores de outros bairros são afetados

O problema da segurança na zona Leste afeta até quem mora em outros bairros. Muitos trabalhadores das lojas da região moram em outros bairros, mas sofrem com assaltos constantes. É o caso de Janaína Fernandes, que trabalha em uma loja de brinquedos infantis, também assaltada inúmeras vezes.

?Da última vez, fomos assaltadas por um rapaz portando arma branca. Ele passou toda a manhã nos observando, analisando o comportamento das vendedoras. No horário da tarde, ele entrou na loja como comprador, anunciou assalto com uma faca e foi embora tranquilamente?, relata Janaína.

A sensação de medo tomou conta do estabelecimento, que agora só atende com as portas fechadas. A loja também foi vítima de arrombamento. O ladrão invadiu o recinto e levou a caixa registradora do local. ?O mais surpreendente é que o alarme não disparou?, fala Janaína. Ela conta que a proprietária entrou em contato com a empresa de vigilância que atende a loja, mas não obteve respostas.

Em consequência do ato, hoje em dia ela e as outras funcionárias da loja só se locomovem pela região de moto-taxi.

?Não tenho coragem de andar por essas ruas vazias, já fui assaltada várias vezes. Estou sempre em alerta e evito ficar em paradas de ônibus?, frisa Janaína.

Delegado ensina medidas de segurança

Com a chegada das férias, muitas famílias viajam e acabam deixando suas casas desocupadas. A época é um prato cheio para ladrões, que aproveitam da ausência dos moradores para praticarem roubos. Para que as famílias possam aproveitar as férias sem se preocuparem com a segurança do lar, o delegado Ademar da Silva Canabrava ensina algumas medidas que podem ser adotadas no período.

?O melhor seria não deixar a casa sozinha, mas se isso não for possível, peça a um vizinho ou parente para visitar diariamente o imóvel. Se possível, peça para uma pessoa de sua confiança recolher as correspondências, assim como verificar movimentos estranhos de pessoas rondando a residência?, fala.

Não deixar as luzes acesas durante o dia é algo que deve ser seguido a risca, pois significa ausência de moradores.

Se possível, instalar um aparelho de fotocélula, pois eles acendem e apagam as luzes externas à noite e de dia.

?Outra coisa é deixar telefones de contato com vizinhos ou parentes, pois eles podem informar sobre alguma ocorrência?, finaliza o delegado.

Fonte: Francisco Lima e Olegário Borges