Assaltos impedem crescimento do comércio na Vila Irmã Dulce

Assaltos impedem crescimento do comércio na Vila Irmã Dulce

Assaltos impedem crescimento do comércio na Vila Irmã Dulce

A tendência dos comerciantes abrirem negócios nos próprios bairros tem feito com que muitas avenidas se transformem em pequenos núcleos comerciais em regiões mais afastadas do centro de Teresina como, no caso, a Vila Irmã Dulce, zona Sul da capital. No percurso da Av. Goitacaz, onde está localizada a maioria dos comércios do bairro, o que não falta são lojas dos mais variados segmentos.

Esta descentralização do comércio traz benefícios para bairros como a Vila Irmã Dulce. Primeiro porque os moradores da localidade não sentem mais a necessidade de ir ao centro para fazer compras, e acabam economizando tempo e dinheiro. Segundo, porque esses comércios geram emprego e renda na localidade, empregando pessoas na parte de atendimento, caixa e outras funções.

Na Av. Goitacaz estão presentes lojas de material de construção, farmácias, mercadinhos, padarias, óticas e lojas de confecção. A maioria destas lojas são comércios familiares, que ainda adotam medidas mais tradicionais na hora de comprar e vender. O caderninho de anotar as compras fiado ainda está presente em muitos desses comércios, mas nas lojas de médio e grande porte já possuem cartões de crédito e até parcelamento das compras.

O ramo comercial mais explorado na Vila Irmã Dulce é o setor de confecções. No trecho da Av. Goitacaz que corta o Bairro Vila Irmã Dulce, a reportagem contou oito lojas especializadas no setor de roupas e calçados. Ao contrário das lojas do centro, que possuem um horário marcado para abrir e fechar, as lojas da Vila Irmã Dulce não possuem horários tabelados. “A gente abre lá pelas 3h da tarde, não temos horário fixo”, disse a comerciante Maria do Desterro, de 45 anos. Maria ainda usa o famoso “caderninho” de vender fiado, pois a maioria de seus clientes são pessoas conhecidas da vizinhança.

Mais à frente, Meire Leal do Nascimento, que substituía a filha na direção de uma loja, contou que não dá para vender fiado. Para ela, as lojas da avenida não atraem apenas os moradores da Vila Irmã Dulce, mas também muitos moradores de bairros vizinhos, como o Porto Alegre. De modo geral, essas lojas possuem preços populares, em que as peças variam entre R$ 1 a R$ 50.

Comerciantes reclamam da falta de segurança

A maior reclamação dos comerciantes da Vila Irmã Dulce é a violência. Para eles, o policiamento da região não está agindo de maneira eficaz, por isso muitos estabelecimentos da Av. Goitacaz já foram alvo de assaltos. Os comerciantes afirmam ter medo de investir nas lojas, porque isso pode chamar a atenção dos ladrões.

Os irmãos Givaldo Sousa Silva e Gilvan da Silva Sousa, por exemplo, possuem uma loja de material de construção na avenida. Eles já vivenciaram um arrombamento e um assalto à mão armada, sendo que o último aconteceu há menos de 3 meses. Eles veem a insegurança como o maior problema para o desenvolvimento do comércio local, e sentem o desamparo por parte das autoridades. “A situação daqui é a pior possível, só estamos com Deus aqui e mais nada. Continuamos aqui porque precisamos trabalhar. O maior problema da criminalidade aqui na Vila Irmã Dulce são as drogas”, relata Gilvan.

Do outro lado da rua, quem também já teve a experiência de ter tido o comércio assaltado foi Francisca Raquel, de 30 anos. Ela é dona de uma padaria, e relata que o comércio que trabalha já foi assaltado 6 vezes durante os últimos anos. “Da última vez vieram aqui e levaram tudo”, diz a comerciante. Para ela, o trabalho de policiamento não está acontecendo de maneira eficaz, e os comerciantes da região vivem com medo em razão disso: “A polícia só passa, mas muito tempo depois do acontecido. A gente vai registrar boletim de ocorrência e não vem ninguém”.

Em frente à padaria de dona Francisca, outra vítima de assaltos a comércios da região foi o balconista Francisco Soares, de 28 anos. Ele não tem boas recordações dos sete assaltos que vivenciou dentro da farmácia que trabalha, que funciona há cinco anos: “É péssimo, a arma na cara da gente”, relata o funcionário.

Fonte: Lucrécio Arrais