"Assassino estava dentro de casa", promotor sobre morte de Joaquim

"Assassino estava dentro de casa", promotor sobre morte de Joaquim

Padrasto entrou em contradição em depoimento, diz Marcus Túlio Nicolino.

Mesmo que o padrasto de Joaquim tenha negado participação no desaparecimento e na morte do menino, não existe a possibilidade de uma terceira pessoa ter entrado na casa, sequestrado e matado a criança. Essa é a tese defendida pelo promotor de Justiça Marcus Túlio Nicolino, que acompanha a investigação do caso. Ele esteve presente durante o depoimento de Guilherme Longo na tarde de quarta-feira (13) e afirmou que o padrasto entrou em contradição diversas vezes. "Nós continuamos trabalhando com a linha de que o assassino estava dentro da casa."

Nicolino disse que Longo contou detalhes sobre o relacionamento com o entenado e a mulher, a psicóloga Natália Ponte, mas não acrescentou fatos importantes para esclarecer a causa da morte de Joaquim, cujo corpo foi encontrado boiando no Rio Pardo, em Barretos (SP), no último domingo (10). "O que ele não explicou é o que aconteceu naquela noite. Ele não demonstrou qualquer interesse em colaborar com as investigações."

Ainda segundo Nicolino, apesar de o padrasto e a mãe do menino, a psicóloga Natália Ponte, negarem envolvimento no caso, a Polícia Civil e o Ministério Público descartam a participação de uma terceira pessoa no crime. "Não temos evidências, não temos indícios, não era possível que outra pessoa tivesse ingressado na casa, retirado o menino dali, não ter feito nada com o menino, nenhum sinal de violência, e jogado esse menino nas águas do rio. A pessoa que fez isso estava dentro da casa", disse.

Sem especificar detalhes sobre o depoimento, o promotor afirmou também que Longo entrou em contradição diversas vezes. Uma delas seria o fato de ter contado que foi Natália quem ligou para a polícia, na manhã do dia 5 de novembro, para comunicar o desaparecimento de Joaquim. Registros da Polícia Militar apontam, porém, que foi o padrasto quem ligou para o telefone 190. "Pelo que eu vi anteriormente, as entrevistas que ele deu, a forma com que ele se pronunciou sobre o caso, hoje não tem alteração nenhuma. Ele continua bastante articulado, bastante calmo em relação a tudo isso."

Nicolino disse que a realização de uma acareação entre Natália e Longo não deve acontecer nesse momento de investigações, mas confirma que a reconstituição do que aconteceu na casa da família, na madrugada em que Joaquim desapareceu, será realizada nos próximos dias. "A medida em que as provas periciais forem ficando prontas, que nós tivermos acesso aos laudos, a polícia tem interesse em ouvir o casal novamente. Ainda temos vários laudos periciais pendentes."

Fonte: G1