Borracheiro estupra crianças em SP

O pai dos meninos calcula que os abusos tenham começado em julho do ano passado

Os olhos se enchem de água quando o jardineiro, que se identifica apenas como José, de 42 anos, lembra o horror que teriam feito com seus três filhos de 10, 8 e 5 anos. As crianças estão entre as mais de 20 que podem ter sido vítimas de pedófilos em Catanduva, a 379 km de São Paulo.

E um dos suspeitos mora a apenas três quadras de sua casa. ?É difícil eles dormirem à noite. Agora, com qualquer barulho, estão alerta?, contou ele nesta segunda-feira (2).

José estava no Fórum da cidade, onde teve um encontro com o senador Magno Malta (PL), presidente da CPI da Pedofilia. O parlamentar veio acompanhar as investigações. O pai dos meninos calcula que os abusos tenham começado em julho do ano passado, quando os garotos do bairro Jardim Alpino, na periferia, conheceram um borracheiro.

Aos 46 anos, é um dos dois suspeitos presos ? o outro é sobrinho dele e tem 19 anos. Há ainda dois jovens de 16 e 17 anos detidos. ?Os meninos disseram que o homem consertava bicicletas e fazia pipas. Queriam ir lá para aprender. Ele vendia pipas grandes e pequenas e tinha um piano em casa. Tudo para atrair as crianças?, aposta José, que, desconfiado, chegou a verificar o local.

?Fui ver o ambiente. Observei bem e não tinha nada de estranho?, afirma o homem, que baixou a guarda e deixou seus filhos frequentarem a casa do borracheiro. Aos poucos, o menino de 10 anos e as meninas de 8 e 5 anos mudaram de comportamento.

?As meninas começaram a fazer xixi na cama, o que não acontecia mais. E os três ficaram com medo de tomar banho sozinhos?. Com ar de culpa, José conta que chegou a brigar com a mais nova porque um dia ela se queixou de ardência na parte genital. ?Perguntei se ela não estava se limpando direito?.

Quando o borracheiro foi preso pela primeira vez em dezembro (a segunda e definitiva prisão foi em janeiro) por suspeita de pedofilia, José começou a ligar os fatos. Hoje, se segura para não expressar em palavras o que gostaria de fazer se estivesse frente a frente com o vizinho de aparência comum. ?Só sinto não ter podido dar uma vida boa para meus filhos?.

Fonte: g1, www.g1.com.br