Brasileira grávida é agredida por neonazistas e perde gêmeos

Deram socos, chutaram e a cortaram com estiletes e até fizeram a sigla SVP nas perna

A advogada brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, foi agredida por três homens brancos, com cabelo raspados, na noite de segunda-feira (8) em Dubendorf, cidade que fica perto de Zurique. Grávida de gêmeos havia três meses, ela acabou perdendo as crianças e sofreu cortes em todas as partes do corpo.

Segundo relatos que fez para o pai, ela havia acabado de sair do trem e ia em direção para a casa onde reside com o companheiro, Marco Trepp, quando, segundo ela, foi surpreendida por três homens, aparentemente neonazistas.

?Deram socos, chutaram e a cortaram com estiletes no corpo inteiro e até fizeram a sigla SVP nas pernas?, afirmou Paulo Oliveira por telefone, de Zurique, ao G1. ?Eles tinham suásticas na cabeça?, informou ele.

Paulo Oliveira, que é secretário parlamentar, foi avisado por ela, por telefone, sobre o ocorrido na madrugada de terça-feira (10), pelo horário de Brasília. Em seguida, avisou ao deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE), para quem trabalha, e também o senador Marco Maciel (DEM-PE) e pegou o primeiro voo em direção a Zurique, juntamente com a mãe de Paula, Geni.

Nesta quarta-feira (10), Paula foi encaminhada novamente ao Hospital da Universidade de Zurique.

?Ela foi chamada para tomar vacinas antivirais. Como foi ferida por objetos cortantes, os estiletes poderiam estar contaminadas com hepatite ou outra doença?, disse ele.

O pai da vítima contou ainda que a polícia ainda não procurou a filha para obter mais detalhes do ataque. "Aparentaram nenhum interesse. Aparentemente estão trabalhando sem nos dar informação", afirmou. "Mas neste momento a prioridade é cuidar da minha filha. Ela está em estado de choque", completou.

Segundo a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Victoria Beaver, em entrevista à Globo News, a polícia ainda não tem pistas sobre os agressores. Ela informou que o consulado está em contato com a polícia para se informar sobre o caso.

Paula e os pais devem voltar a Recife em uma semana. "Depois eu não sei, não quero fazer conjecturas. Ela trabalha para uma empresa aqui e precisa ver o que a empresa vai querer. Não sabe ainda se voltará para Zurique", disse.

Consulado

A cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitoria Cleaver, disse que conversou apenas por telefone com Paula. Mas que tentou um contato com a polícia suíça.

"Tomamos conhecimento sobre este tema através da assessoria internacional do estado de Pernambuco ontem (terça) pela manhã", disse ela em entrevista à Globo News. "Ela está fora de perigo."

Fonte: g1, www.g1.com.br