Campus da Uece é assaltada em Fortaleza

Essa não foi a primeira vez que bandidos invadiram salas e laboratórios no campus da Uece.

A violência registrada há três semanas no entorno da Universidade Estadual do Ceará (Uece), com a morte da universitária Nádia Brito, 23, também está presente dentro do campus. Na manhã de ontem, os alunos de mestrado e doutorado de Veterinária tomaram um susto quando chegaram ao laboratório de Genômica e Bioinformática do curso, no Campus do Itaperi. Ladrões invadiram o local pela madrugada e furtaram notebooks, máquinas fotográficas e de filmagem, além de ferramentas utilizadas pelos estudantes nos experimentos científicos com animais.

Conforme funcionários e alunos, essa não foi a primeira vez que bandidos invadiram salas e laboratórios no campus da Uece. O professor Célio Pires, diretor da Faculdade de Veterinária, confirmou as denúncias e afirmou que vários furtos foram registrados anteriormente ali. ?Essa situação precisa acabar. Alguém precisa ser punido?, ressaltou. Segundo Pires, o reitor Francisco de Assis Moura Araripe já tem pronto um projeto para ampliação da segurança privada nas dependências da Uece e deve encaminhá-lo ao governador.

Policiamento

Atualmente, cerca de 60 policiais militares se revezam nos três turnos para cobrir uma área de aproximadamente 110 hectares. Conforme o capitão PM Danilo Gomes, coordenador da segurança patrimonial, o laboratório furtado fica em uma área ao lado de uma rua deserta. ?Além disso, o muro baixo facilita a entrada de ladrões no interior do campus?, ressaltou o oficial.

Dessa vez, os bandidos tiveram um pouco mais de trabalho, pois o laboratório possuía sistema de vigilância eletrônica. Antes de entrar, eles cortaram os fios do alarme, e, em seguida, arrombaram uma grade de ferro e várias portas que davam acesso às salas do laboratório onde estavam guardados todos os equipamentos.

Prejuízo

O rastro de violência deixado pelo ladrões, como portas arrombadas e material espalhado pelo chão, era ?desolador? como definiu uma estudante, que preferiu não se identificar. Contudo, o prejuízo material, avaliado em aproximadamente R$ 10 mil, em um levantamento preliminar, não pode ser comparado ao dano à pesquisa, ?O prejuízo é imensurável. Foram meses de pesquisa que estavam registrados nos computadores que foram levados embora?, lamentou uma aluna do curso de doutorado.

O material furtado era utilizado, por exemplo, em pesquisas de análise de DNA e RNA de animais e microorganismos. Além dos experimentos de seqüenciamento de DNA, de acordo com Pires, outro estudo, ainda em fase inicial, resultará no mapeamento digital de uma nova raça de bovino.

Fonte: Diário do Nordeste, www.diariodonordeste.com.br