Casa era usada como 'abatedouro' para meninas dopadas

Elas eram quase sempre dopadas por um coquetel de álcool e drogas.

Uma casa pequena, de apenas um cômodo, suja e pichada no alto do Morro da Barão. O endereço onde a adolescente foi estuprada é muito conhecido pelosmoradores da comunidade da Praça Seca. Meninas costumam ser levadas para oimóvel, chamado de “abatedouro”, para noites de sexo por criminosos armados,quase sempre dopadas por um coquetel de álcool e drogas.

A construção fica em frente à principal boca de fumo do morro, quase sempre vigiada por bandidos com fuzis e pistolas. Criminosos que podiam ser encontrados com facilidade na terça-feira, no início da noite, logo depois do término de uma operação da PM.

"De dia, os bandidos ficam escondidos, mas basta escurecer para aparecerem. A polícia sobe o morro, vasculha tudo e vai embora. É quando eles voltam. Não aconselho o senhor a ficar aqui agora", disse um jovem. 

Moradores confirmaram que, além de traficantes, “gente do asfalto”, que sobe o morro para comprar e consumir drogas, também usa a casa — onde há uma cama de casal, uma TV, uma pequena cômoda e um aparelho de ar-condicionado. Disseram que inúmeras meninas já foram levadas para lá, depois de consumirem em grandes quantidades bebida, cocaína, maconha e, principalmente, cheirinho da loló (feito à base de clorofórmio e éter).

Cama onde ocorreu o esturo coletivo
Cama onde ocorreu o esturo coletivo

Traficantes decretam morte de vítima de estupro coletivo no RJ

O secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Paulo Melo, divulgou nesta terça(31), que a adolescente vítima de estupro coletivo na Praça Seca, Zona Oeste do Rio, recebeu ameças de traficantes do Morro do Barão, comunidade onde ocorreu o abuso. Segundo ele, a jovem vem sendo alvo de ataques diariamente nas redes sociais.

"A menor recebeu ameaças de morte até de homens de outros estados, através da internet. O maior medo da família é a possibilidade de vingança por parte do tráfico.", disse Paulo de Melo.

'Acordei com 33 caras em cima de mim', diz menor vítima de estupro

A menor de apenas 16 anos deu detalhes do ocorrido durante uma entrevista: "Acordei com 33 caras em cima de mim. Só quero ir para a casa". O caso ganhou repercussão após fotos e vídeos da vítima violentada serem publicados na internet pelos agressores, que ironizaram o crime.

A vítima também usou as redes sociais para contar momentos de terro que viveu e agradeceu ao apoio recebido. "Todas podemos um dia passa e por isso .. Não, não dói o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes !! Obrigada ao apoio", disse a adolescente. “Venho comunicar que roubaram meu telefone e obrigada pelo apoio de todos. Realmente pensei que seria julgada mal”, continuou.

"Depois ainda ficou de safadeza", diz suspeito de estupro coletivo

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou a prisão de dois suspeitos de praticaram o estupro coletivo. Lucas Perdomo Duarte, jogador de futebol que se relacionava com a vítima foi preso em um restaurante quando ia dar uma entrevista coletiva para o Sport TV e Raí de Souza, de 22 anos se entregou na Delegacia da Criança.

Raí afirmou que viu a jovem dois dias depois do vídeo e ela não se mostrou preocupada: “Eu estava no baile baile funk, por volta das 7h, fim do baile. O Lucas me chamou, falou que tava com uma amiga e mais uma menina. Eu, o Lucas, a J. (uma outra menina) e ela fomos para o abatedouro. Ela estava tão inconsciente que pediu que pegasse camisinha. Eu saí para buscar, voltei, tivemos relações e ela ficou lá. Ela estava menstruada. A amiga dela sabe, porque quando tava no final, às 10h, estávamos indo embora e a amiga dela, sem querer pegou a calcinha dela. Chamamos ela, acordamos ela, e falamos que iríamos embora. Ela falou que não queria ir embora e que iria ficar”, disse.

Senado aprova pena de até 30 anos de prisão para estupro coletivo

O Senado aprovou na noite de terça-feira (31), por unanimidade, o endurecimento da pena para condenados por estupro coletivo, previsto no projeto de lei 618/2015, da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). O texto foi apresentado no ano passado, mas ganhou destaque após a repercussão do estupro de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro.


Fonte: OGlobo