Casal Nardoni frequenta cultos e ajuda na limpeza em presídios de Tremembé

rime ocorreu em 29 de março do ano passado e comoveu o Brasil

Imagens inéditas registradas pelo Fantástico em 20 de abril de 2008 mostram Alexandre, Anna Carolina Jatobá e os dois filhos do casal. A gravação foi feita no dia em que o pai e a madrasta de Isabella falaram com exclusividade ao programa. Dezessete dias depois, a Justiça aceitou a denúncia contra o casal. Os dois foram presos, acusados de matar a filha de Alexandre, Isabella, de 5 anos.

Para o Ministério Público, esse período de um ano entre o assassinato de Isabella, no dia 29 de março, até hoje serviu para aumentar a convicção de que o casal é culpado. "A prova que eu possuía quando propus a ação penal foi encorpada com o que obtivemos em juízo. Isso tudo de modo a dar base ainda mais ao que alega a acusação", garante o promotor de Justiça Francisco Cembranelli.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá aguardam o julgamento - que ainda não tem data definida - em cadeias da cidade de Tremembé, no interior de São Paulo. O pai e a madrasta de Isabella estão preso há 11 meses em prédios localizados a cerca de três quilômetros de distância.

Informações obtidas pelo Fantástico revelam que Alexandre Nardoni fica em uma cela de 24 metros quadrados, com mais quatro presos. A mesma situação de Anna Carolina Jatobá, que é acusada de esganar a enteada. Na penitenciária, ela frequenta os cultos evangélicos e ajuda na limpeza.

Alexandre - que segundo a polícia, jogou a filha pela janela - chegou a participar das aulas de música, mas desistiu. Na maior parte do tempo, ele assiste televisão.

"Me parece que estão tranquilos. Estão até bem integrados à rotina carcerária. Não houve qualquer problema criado e demonstra até um certo conformismo com a situação", comenta o promotor de Justiça Francisco Cembranelli.

A informação é que, na cadeia, Alexandre e Anna Carolina receberam uma única visita dos filhos. O casal reclama que sente muita saudade dos meninos. Procurado pelo Fantástico, o pai de Alexandre, o advogado Antonio Nardoni, preferiu não gravar entrevista. Mas disse que os netos, atualmente com 4 e com 2 anos, choram quase todos os dias desde que se separaram dos pais.

Desde a prisão, os advogados de defesa tentaram conseguir um habeas corpus, para que o casal pudesse responder ao processo em liberdade. Todos os pedidos foram negados sucessivamente.

Primeiro, no Tribunal de Justiça de São Paulo. Depois, em Brasília: no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do poder judiciário brasileiro.

"Não é um processo demorado, muito pelo contrário. É bastante rápido, já que é processo muito volumoso, com certo grau de complexidade, já seriam levados a julgamento no início do ano, não fosse o recurso interposto pela defesa", diz o promotor.

Nesta semana, o Fantástico procurou os advogados do casal, mas nenhum quis gravar entrevista. A estratégia é manter o silêncio, às vésperas de um momento considerado crucial pela defesa.

JÚRI POPULAR

Uma das decisões mais importantes do processo vai ser anunciada nesta terça-feira, na sala do Tribunal de Justiça de São Paulo. Os desembargadores vão julgar se Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni devem - ou não - ir a júri popular. Os advogados de defesa alegam que o pai e a madrasta de Isabella Nardoni são inocentes e que não existem provas concretas contra os dois.

Segundo juristas, pelo andamento do processo e pelas decisões anteriores, dificilmente o casal vai se livrar de ficar frente a frente com os sete jurados, que vão fazer parte do júri popular. Os nomes são definidos por sorteio.

"O jurado tem um poder tão grande, tão amplo que ele decide de acordo com a consciência dele. A defesa, no dia do julgamento, pode adotar uma tese defensiva que até o momento não teria sido cogitada, isso obviamente pode causar surpresa", aponta o juiz Richard Chequini.

Os advogados de defesa ainda podem entrar com outros recursos na Justiça. Mas, o Ministério Público tem uma previsão: acredita que o pai e a madrasta de Isabella sejam julgados no início do segundo semestre ou, no máximo, até o começo do ano que vem. Se condenados, a pena deve passar dos 12 anos de prisão.

"Estou convicto do que aleguei até o momento. A ideia continua a mesma, de levá-los a julgamento, objetivando uma decisão compatível com o interesse social. Acredito que eles serão condenados por unanimidade", diz Francisco Cembranelli.

Fonte: g1, www.g1.com.br