Caseiro de Bruno diz que foi agredido por policial em MG

Caseiro de Bruno diz que foi agredido por policial em MG

A Polícia Civil, através de sua assessoria de imprensa, disse que não vai se manifestar sobre qualquer tipo de denúncia.

O caseiro do goleiro Bruno Fernandes de Souza, Elenilson Vitor da Silva, afirmou nesta segunda-feira em audiência sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, no Fórum de Contagem (MG), que, durante um dos depoimentos prestados à polícia, foi agredido com tapas na nuca por Marcelo da Mata. O policial é da equipe de Homicídios de Contagem e foi a primeira pessoa a receber uma denúncia da morte da ex-amante do atleta. "Toda vez que eu não sabia ou não recordava de algo, ele me dava tapas muito fortes", disse Elenilson à juíza.

O caseiro, que é um dos réus no processo pelo sequestro e morte de Eliza, afirmou também que o delegado Júlio Wilke, que colheu o seu depoimento no dia da suposta agressão, batia na mesa várias vezes. Além disso, Elenilson disse no Fórum de Contagem que o delegado teria enganado a sua mãe ao dizer que Bruno iria prejudicar sua família por ter muito dinheiro e que ele poderia arrumar um bom advogado se o caseiro estivesse disposto a colaborar com os policiais.

A Polícia Civil, através de sua assessoria de imprensa, disse que não vai se manifestar sobre qualquer tipo de denúncia.

Quaresma dorme durante audiência

O advogado do goleiro Bruno dormiu durante a maior parte do depoimento do caseiro Elenilson Vítor da Silva. Quaresma se instalou na última cadeira da quarta fila do salão do Tribunal do Júri e ali ficou por cerca de duas horas. Em alguns momentos, chegou a se virar para apoiar a testa na parede.

Durante o depoimento, Elenilson confirmou que viu Eliza no sítio de Bruno entre os dias 6 e 10 de junho e disse que no dia 9, quando houve uma confraternização na propriedade do jogador, ele chegou a levar para ela e o filho um caldo de mandioca e um suco de pêssego.

Elenilson afirmou ainda ter ouvido que outras pessoas viram Eliza em um campo de futebol em Ribeirão das Neves. Ela teria ido assistir a uma partida do time 100% Futebol Clube, equipe presidida por Macarrão e patrocinada por Bruno. Eliza teria sido vista na arquibancada do campo com o filho no colo. A ex-amante de Bruno, Fernanda Gomes Castro, também teria assistido à partida.

No dia, o time de Bruno se classificou para a final de um torneio local e o grupo, incluindo Macarrão, Coxinha, Elenilson, Fernanda e outras pessoas, teria comemorado em um bar. Eliza, segundo Elenilson, voltou para o sítio, mas ele não explicou como.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

Fonte: Terra, www.terra.com.br