Caso Eloá: Lindemberg Alves se condenou, mas deve ter pena reduzida, afirma jurista

Caso Eloá: Lindemberg Alves se condenou, mas deve ter pena reduzida, afirma jurista

Na avaliação de Gomes, porém, Lindemberg "já está condenado" pelos outros crimes que cometeu

O jurista e professor de direito Luiz Flávio Gomes, que acompanhou os três dias do julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, réu pelo cárcere privado e morte da estudante Eloá Pimentel, 15 anos, disse acreditar que ele conseguirá reduzir sua pena, embora aposte em condenação. Na avaliação do especialista, Lindemberg foi convincente ao relatar que não atirou com a intenção de atingir o policial militar Atos Valeriano, com quem negociou a soltura dos reféns no primeiro dia de cárcere privado.

"Se ele tiver convencido os jurados de que não teve a intenção de matar o policial, são menos 15 anos de pena para cumprir", explicou o especialista.

Na avaliação de Gomes, porém, Lindemberg "já está condenado" pelos outros crimes que cometeu, pois, embora tenha sido muito "articulado" em seu depoimento, confessou que matou Eloá.

"Ele hoje foi muito competente em sua articulação. Mas o discurso dele é o que todo o jurado quer ouvir de um réu. Ele mesmo se autocondenou (ao confessar que atirou contra Eloá). Mas possivelmente deve conseguir uma boa atenuação", avaliou.

No início de seu depoimento, Lindemberg pediu desculpas à família de Eloá. "Eu vim para contar a verdade, porque eu tenho uma dívida muito grande com a família dela. Eu queria pedir perdão em público, porque eu entendo a dor da Dona Tina (em referência a Ana Cristina, mãe de Eloá). Eu queria pedir perdão pra ela por tudo o que aconteceu", disse.

Caso seja condenado por todos os crimes a que responde na Justiça - são 12, no total -, Lindemberg poderia pegar até 100 anos de prisão. Na avaliação do jurista, no entanto, a pena máxima aplicada não deve passar de 40 anos. "O desafio da promotora agora será provar que ele atirou com intenção de matar (a Eloá)", afirmou.

Lindemberg falou por quase seis horas, durante o terceiro dia do julgamento, que começou na última segunda-feira e deve terminar amanhã. Ao todo, 14 testemunhas foram ouvidas nesses três dias. A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, e os irmãos da vítima, Douglas e Ronickson, assistiram da plateia todo o depoimento.

O mais longo cárcere de SP

A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.

Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

Fonte: Terra