Caso Yoki: nova testemunha pode mudar rumos da investigação

Caso Yoki: nova testemunha pode mudar rumos da investigação

Procurada, a defesa de Elize Matsunaga negou o envolvimento de outra pessoa no crime

Um advogado que vive no Paraná pode mudar os rumos da investigação sobre a morte do empresário Marcos Matsunaga. Amigo da auxiliar de enfermagem Elize Matsunaga, acusada de cometer o crime, o homem forneceu novas informações que pode ajudar a polícia a descobrir se existiu uma terceira pessoa que ajudou Elize na morte e esquartejamento do marido. Segundo reportagem publicada no programa Domingo Espetacular, da Rede Record, Giovani Serafini conhece Elize há muito tempo e nega qualquer envolvimento amoroso com a acusada. Ele teria sido a primeira pessoa a saber do crime, segundo as investigações. ?Eu liguei, ela disse que não podia falar naquele momento, um minuto depois ela me ligou e aí que ela me contou que o Marcos havia sido morto (...) Aí falei pra ela: "você se prepare, porque você como esposa do Marcos - e se isso foi um assalto, ou se ele tinha algum inimigo - com certeza a primeira pessoa que a polícia vai procurar é você"?, disse o advogado em depoimento.

Quem convocou Giovani a depor foi a defesa de Elize. Segundo o Ministério Público, o motivo era caracterizar Marcos como um marido violento. Giovani falou à polícia que o casamento dos dois estava em crise. Segundo depoimento da testemunha, a auxiliar de enfermagem teria ligado para ele dias antes de a polícia descobrir o corpo de Marcos e esse fato pode qualificar o crime como premeditado. Como a quebra de sigilo telefônico de Elize não apontou nenhuma ligação para Giovani, a polícia acredita que ela tenha usado outro aparelho de telefone no dia do crime, o que pode confirmar a suspeita de que outra pessoa a ajudou a cometer o crime e a fazer o corpo desaparecer. O fato de Giovani ser especialista em indenizações de seguros aumenta a suspeita sobre a morte do empresário. Em caso de separação, Elize ficaria apenas com uma pensão, mas com a morte de Marcos, a filha do casal passaria a ser a herdeira da fortuna da família. Procurada, a defesa de Elize Matsunaga negou o envolvimento de outra pessoa no crime.

O caso

Executivo da Yoki, Marcos Kitano Matsunaga, 42 anos, foi considerado desaparecido em 20 de maio deste ano. Sete dias depois, partes do corpo foram encontradas em Cotia, na Grande São Paulo. Segundo apuração inicial, o empresário foi assassinado com um tiro e depois esquartejado.

Principal suspeita de ter praticado o crime, a mulher dele, a bacharel em Direito e técnica em enfermagem Elize Araújo Kitano Matsunaga, 38 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 4 de junho. Eles eram casados há três anos e têm uma filha de 1 ano. O empresário era pai também de um filho de 3 anos, fruto de relacionamento anterior.

De acordo com as investigações, no dia 19 de maio, a vítima entrou no apartamento do casal, na zona oeste da capital paulista e, a partir daí, as câmeras do prédio não mais registram a sua saída. No dia seguinte, a mulher aparece saindo do edifício com malas e, quando retornou, estava sem a bagagem.

Durante perícia no apartamento, foram encontrados sacos da mesma cor dos utilizados para colocar as partes do corpo esquartejado do executivo. Além disso, Elize doou três armas do marido à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo antes de ser presa. Uma das armas tinha calibre 380, o mesmo do tiro que matou o empresário.

Em depoimento, dois dias depois de ser presa, Elize confessou ter matado e esquartejado o marido em um banheiro do apartamento do casal. Ela disse ter descoberto uma traição do empresário e que, durante uma discussão, foi agredida. A mulher ressaltou ter agido sozinha.

No dia 19 de junho, o juiz Adilson Paukoski Simoni, da 5ª Vara do Júri no Fórum da Barra Funda, aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo e decretou a prisão preventiva da acusada.

Fonte: Terra