Cinco bandidos fogem de presídio no CE

No momento da fuga, oito detentos estavam em um local aberto (fora dos xadrezes)

Cinco bandidos de alta periculosidade, acusados de diversos crimes como seqüestros, assaltos a bancos e carros-fortes, pistolagem e ´saidinhas´ bancárias, conseguiram fugir da carceragem da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), na noite do último domingo (22). A Polícia continua as buscas para recapturar os presos, mas até ontem, nenhum deles havia sido localizado.

No momento da fuga, oito detentos estavam em um local aberto (fora dos xadrezes) reservado para o banho dos presos. Cinco fugiram após serrarem a grade localizada na parte de cima dessa área e alcançarem o telhado da delegacia. De lá, eles chegaram a um terreno abandonado e ?sumiram?.

Os fugitivos, considerados ?altamente perigosos? pelas autoridades policiais foram identificados como Juliene Justino da Silva, o ?Baixinho?; Francisco das Chagas da Silva, o ?Guardinha?; Wellington Matias de Moura, o ?Pequeno?, Jadson Rafael Lima Silva e Jozianni Figueira de Lima. O primeiro é responsável por comandar seqüestro e assaltos a bancos.

Os demais presos também são velhos conhecidos da Polícia. O delegado Wilder Brito, titular da DRF, afirmou que na hora em que os presos escaparam dois permanentes estavam na delegacia fazendo a guarda dos presos. Segundo Brito, um inquérito policial foi instaurado para apurar o fato.

Conforme o delegado, as circunstâncias da fuga precisam ser esclarecidas e apuradas com rigor. ?Como entrou uma serra nas celas? Se tem câmera no local e monitor de vídeo, como ninguém percebeu a hora em que os presos estavam tentando fugir? Essas são perguntas que pretendemos responder no decorrer das investigações do inquérito?, ressaltou.

O diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), delegado Jairo Façanha Pequeno, e o superintende da Polícia Civil, delegado Luiz Carlos Dantas, também estão acompanhando o caso de perto. Segundo Jairo Pequeno, a fuga é ainda mais grave pela periculosidade dos fugitivos. ?Além do inquérito policial, a fuga também será alvo de um procedimento administrativo?.

De acordo com as primeiras investigações da Polícia, Wellington, o ?Pequeno?, foi o responsável por serrar as grades e o primeiro a sair. ?Pequeno? não passou mais de dois dias preso na DRF. Ele havia sido detido na última sexta-feira (20) acusado de falsidade ideológica. Mas, contra ele já existiam dois mandados de prisão decretados pela Justiça.

Seqüestrador

Juliene, o ?Baixinho?, acusado de seqüestro e assaltos a bancos e carros-fortes, é apontado pela Polícia como um dos mais perigosos. Ele foi preso pela última vez acusado de chefiar o bando que assaltou o Banco Rural, na Aldeota, em janeiro deste ano.

Na ocasião, três homens armados invadiram a agência, renderam o vigilante e o gerente e fugiram levando cerca de R$ 74 mil. Uma semana depois, o grupo foi desarticulado pelos inspetores da DRF. Juliene, apontado como líder do bando, foi preso juntamente com mais dois comparsas.

Francisco das Chagas, o ?Guardinha?, também tem uma extensa ficha criminal. Segundo a Polícia, ele foi condenado há 18 anos por pistolagem e havia saído recentemente do presídio, onde ficou preso por quatro anos. Após ser posto em regime de liberdade condicional, ´Guardinha´ voltou a praticar crimes, como assalto, e acabou preso novamente

Além dos cinco presos, que escaparam da DRF, na noite de domingo, outros 56 detentos que estavam recolhidos nos xadrezes superlotados das delegacias distritais conseguiram escapar este ano e estão nas ruas praticando novos delitos.

De acordo com o levantamento feito pela editoria de polícia do Diário do Nordeste, nove fugas foram registradas somente nos três primeiros meses do ano. Em quase todos os casos, o mesmo ?modus operandi?, os bandidos serram as grades e fogem.

Algumas vezes, a ousadia chega ao ponto dos fugitivos renderem os policiais que estão de guarda nas DPs antes de fugirem. Em um dos casos, ocorrido no 19º DP (Conjunto Esperança), após dominarem o permanente, seis presos fugiram levando a pistola do policial.

Fonte: Diário do Nordeste, www.diariodonordeste.com.br