Crianças punidas por tentativa de estupro

Os meninos negavam as duas acusações de estupro.

Dois meninos de 10 e 11 anos de idade foram condenados pela Justiça britânica nesta segunda-feira (24) pela tentativa de estupro de uma menina de 8 anos em Londres.

Os garotos, no entanto, foram considerados inocentes de acusações de estupro propriamente dito.

Inicialmente, a menina afirmou ter sido estuprada em um campo em outubro de 2009. Na época, ela foi internada em um hospital com dores de estômago. Posteriormente, no entanto, ela afirmou ter mentido e negou ter sido estuprada.

Os meninos, que então tinham 10 anos e cujos nomes não podem ser revelados, negavam as duas acusações de estupro.

Apesar da condenação anunciada nesta segunda-feira, eles não devem receber a sentença nas próximas oito semanas, enquanto os relatórios sobre o caso não estiverem concluídos.

Acusações

O júri, composto por seis homens e seis mulheres, considerou os dois réus culpados por tentativa de estupro por dez votos contra dois.

A promotora Rosina Cottage afirmou que a menina foi abordada pelos garotos quando brincava com uma amiga.

Ela teria sido levada para um conjunto habitacional, um depósito de lixo comunitário e um campo.

A mãe da menina afirmou no tribunal que teria encontrado a filha com os meninos perto de um campo depois de outra criança ter afirmado que os meninos estariam tentando machucá-la.

No entanto, os advogados dos meninos, que estão entre os mais novos já processados por estupro na Grã-Bretanha, afirmaram que eles estavam apenas sendo "travessos" e brincando de médico.

"Experiência difícil"

Em audiências preliminares de acareação, a menina de oito anos afirmou ter mentido para a mãe sobre o que aconteceu porque teria sido "travessa" e teria ficado com medo de não ganhar doces.

Durante o julgamento, o juiz lembrou o júri de que a vítima atravessou uma "experiência difícil". A menina depôs em uma sala separada, por vídeo, para preservar a sua identidade.

"Essa é uma experiência que todos nós torcemos para que nossos filhos não atravessem", disse o juiz.

Mesmo assim, o juiz advertiu os jurados para não se deixarem levar por sentimentos de empatia com a menina.

Os advogados dos meninos chegaram a pedir que o caso fosse abandonado depois da admissão da menina de que parte de seu depoimento era falso, mas o juiz não permitiu que isso acontecesse.

Ele afirmou que a decisão sobre confiar ou não na menina cabia ao júri e acrescentou que as declarações dela depois do episódio tinham sido coerentes com depoimentos de adultos, entre eles, policiais e médicos.

O magistrado também comentou que a menina parecia estar exausta ao fim do processo, quando se limitou a responder "é" para a maioria das perguntas.

Fonte: g1, www.g1.com.br