Criminalista: fala de advogado de Bruno é "confissão"

Segundo matéria pelo exibida pelo Fantástico, a noiva do goleiro, Ingrid Oliveira, denunciou à polícia

Para o presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de Minas Gerais e ex-conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais, (OAB-MG) Geraldo Guedes, as declarações feitas pelo advogado do goleiro Bruno, Ercio Quaresma, segundo gravações exibidas pelo Fantástico, são uma confissão de envolvimento no crime por ter dito que "se é que existe um cadáver", ele está "insepulto até agora" por sua causa. "A polícia deve se pronunciar porque ficou claro que se tratou de uma ameaça velada", disse Guedes.

Segundo matéria pelo exibida pelo Fantástico, a noiva do goleiro, Ingrid Oliveira, denunciou à polícia que teria recebido ameaças de Quaresma. Em gravações feitas por ela, o advogado diz que conhece Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de matar e esconder o corpo de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno, há 20 anos.

"Eu estou segurando o pretenso matador, que é meu amigo há 20 anos, (...) eu brinco que quem ensinou ele a fazer as coisas fui eu. Eu sou mais velho que ele na polícia", diz Quaresma na gravação exibida pelo programa. Em sua defesa, o advogado disse que ensinou Bola a atirar, a investigar e a perguntar.

Para o presidente Associação dos Advogados Criminalistas de Minas Gerais, a conduta de Quaresma é um "absurdo". "Ele é um colega que passa dos limites, principalmente no aspecto ético. Quando ele declara que é amigo do acusado de matar a vítima e que o ensinou a atirar, confessou participação no crime e deve ser denunciado por isso. O Ministério Público e a polícia devem agir, porque isso é uma confissão", disse Guedes.

O presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo, Ademar Gomes, disse que "as acusações trazidas pela mídia são gravíssimas", e que se realmente forem comprovadas, Quaresma pode ser indiciado como coautor do crime. "Os caminhos jurídicos devem ser adotados pelo Ministério Público, mas é o inquérito policial que vai averiguar a procedência das acusações para saber se a voz é dele mesmo", disse.

Sobre a defesa de Bruno, Guedes aponta que Quaresma não preserva a integridade de se cliente. "O advogado deve privar pela privacidade do cliente, não o deve expor. Se ele advoga para todos os envolvidos, existe um claro conflito de interesses", disse.

Para Guedes, a OAB-MG tem que se pronunciar sobre as condutas de Quaresma, uma vez, que ele teria, inclusive, ameaçado o advogado Marco Antonio Siqueira, responsável pela defesa de um dos acusados de envolvimento no desaparecimento de Eliza, segundo reportagem do jornal Estado de Minas. "Até agora a OAB-MG tem sido omissa, espero que agora tome uma atitude", disse.

Segundo Guedes, não é a primeira que Quaresma extrapola os limites de sua função. "Durante um julgamento, Quaresma chegou, literalmente, a montar um picadeiro no tribunal. O julgamento teve que ser paralisado pelo ex-desembargador Antoninho Vieira de Brito, para que fossem desmontadas as cordas colocas por Quaresma sem autorização do juiz", disse.

Na semana passada, a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais, anunciou que apura a conduta do advogado para averiguar se se familiares e amigos do atleta, além do próprio Bruno, estariam sendo coagidos e ameaçados por Quaresma para que ele não seja retirado do caso. O conselho de ética da entidade ainda não se pronunciou sobre as gravações exibidas pelo Fantástico e o Quaresma foi encontrado para comentar as declarações do presidente da associação mineira.

Fonte: Terra, www.terra.com.br