Cruz Vermelha distribui cartilha de como se comportar em momentos de tiroteio

O sexto quesito alerta sobre o risco de balas perdidas. As orientações são divulgadas, de forma voluntária, por moradores dessas áreas.

A Cruz Vermelha do Rio de Janeiro, em parceria com o Comitê Internacional do órgão, vem orientando moradores de comunidades com alto índice de violência sobre como se proteger de balas perdidas em tiroteios. Há cinco anos, a entidade distribui folhetos com informações objetivas sobre o comportamento que se deve ter em situações de risco e como evitá-las. O projeto tem como foco comunidades que não são ocupadas por forças de segurança, com exceção do Complexo da Maré. Os folhetos têm sido distribuídos também na Vila Vintém, na Zona Oeste, e em Vigário Geral e Parada de Lucas, no subúrbio do Rio.
 
— Estamos na Maré porque a ocupação é recente. Infelizmente, hoje uma pessoa pode ser vítima de bala perdida na Cinelândia, em Copacabana, em qualquer lugar. É com tristeza que vemos que as recomendações estão muito atuais e podem servir para todos nós em qualquer região onde estejamos. Mas o foco principal, por causa da experiência internacional da Cruz Vermelha, que está em 179 países, são as comunidades — observou o presidente da Cruz Vermelha do Rio, Luiz Alberto Sampaio.

O folheto traz 12 recomendações. O sexto quesito alerta sobre o risco de balas perdidas. As orientações são divulgadas, de forma voluntária, por moradores dessas áreas.

— Há quatro núcleos estabelecidos em comunidades. Os moradores voluntários receberam treinamentos em primeiros socorros, acesso mais seguro, noções de cidadania, de direito, de higiene pessoal e coletiva. São regras simples com as quais a gente tenta preservar a vida das pessoas. Estamos abertos a quem quiser ser voluntário. Aqui é o lugar pare exercitar o seu lado bom — convida Sampaio.

Entre as orientações difundidas no panfleto está como o morador deve se proteger durante tiroteios em áreas de risco. “Tentar correr para casa durante um tiroteio é pior. Fique esperto em casos de tiros disparados para o ar. Afinal, tudo que sobe, desce!”, diz o material.

A seguir, as dicas da Cruz Vermelha para se proteger em situações de risco:

1) Identifique as ruas mais seguras. Ruas desertas ou escuras são mais perigosas. Por isso, ande por locais mais movimentados e conheça caminhos alternativos para o caso de algum imprevisto, isso pode te salvar do sufoco.

2) Antes de ir a algum lugar onde o bicho pega de vez em quando, tente falar com quem more lá ou conheça bem o local.

3) Caso ande por lugares que conhece, identifique locais que podem servir de abrigo em caso de emergência.

4) Aprenda a reconhecer os sinais de perigo, como fogos de artifício, lojas fechadas, ruas vazias, etc. Nestes casos, identifique um local seguro para se abrigar em caso de emergência.

5) Agora, se você está na rua e, de repente começa um tiroteio, imediatamente procure um abrigo no prédio ou casa mais próximos.

6) Fique longe das janelas. Se elas foram atingidas por uma bala perdida, o vidro quebrado pode te ferir ou até matar. Procure um local que tenha, pelo menos, duas paredes de tijolos separando você e o local de onde vem o som de tiros.

7) Caso não dê, se jogue no chão. Tentar correr para casa durante um tiroteio, é pior. Fique esperto em casos de tiros disparados para o ar! Afinal, tudo que sobe, desce!

8) Assim que possível, se arraste, sem se levantar, para um local mais seguro!

9) Nunca seja curioso. Somente saia do seu abrigo ou chegue na janela quando tiver certeza de que o perigo acabou!

10) Na hora do sufoco, se precisar avisar alguém, é bom ter à mão uma lista com os números de telefones importantes. Nervoso, você não vai conseguir lembrar o número de ninguém!

11) Não há uma lei no Brasil que te obrigue a andar com documentos, mas você pode ser abordado pela polícia a qualquer momento. Neste caso, evite constrangimentos, sempre ande com documentos com foto. Além disso, coopere, não faça movimentos bruscos e mantenha as suas mãos em lugar bem visível.

12) Nunca pegue granadas ou balas abandonadas como “brindes”, porque elas podem explodir e ferir você! Isso também serve para armas.

Fonte: O Globo