Delegacia procura quadrilha que levou R$ 14 mi de caixa-forte

Até 20 criminosos cavaram túnel para furtar Protege, no domingo, em SP. PM prendeu um suspeito e matou outros três; todo dinheiro foi recuperado

A Delegacia de Roubos a Bancos do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), da Polícia Civil, vai investigar a quadrilha armada que usou galerias subterrâneas e um túnel para invadir a Transportadora de Valores Protege e furtar quase R$ 14 milhões dos cofres da empresa durante a madrugada de domingo (14), em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. Todo o dinheiro levado foi recuperado pela Polícia Militar.

De 15 a 20 criminosos teriam participado da ação. Um homem foi preso, três acabaram mortos e os demais suspeitos fugiram após trocarem tiros com os policiais militares. A equipe de segurança do estabelecimento teria avisado à PM após um alarme disparar.

Para chegar até a caixa-forte da Protege, o grupo criminoso colocou um ônibus de turismo com fundo falso sobre um bueiro, distante 130 metros da empresa, na Avenida Professor Alceu Maynard Araújo, por volta da 1h30 de domingo. Com roupas de mergulho, os bandidos saíram do veículo, abriram a tampa e entraram na galeria de água pluvial.

Como há várias tubulações subterrâneas, o bando percorreu 250 metros até um trecho, sem ser notado, sob a Rua Laguna. A partir dali, escavou um túnel de 15 metros até a sala onde estavam mais de R$ 13,5 milhões. Para arrombar o piso, quebrar o concreto e a chapa de aço foram usadas ferramentas.

Para não molhar as notas, os criminosos as colocaram dentro de sacos plásticos e as transportaram em botes infláveis pelo túnel e galerias até o bueiro por onde haviam entrado. A água atingia a altura do peito dos ladrões. Dali, eles subiam com o dinheiro pelo fundo falso do ônibus até o interior do veículo, que não possuía bancos justamente para acomodar os sacos.

Segundo a Protege, a segurança da empresa percebeu a invasão e acionou a PM. Câmeras de monitoramento teriam gravado a entrada da quadrilha. As imagens serão analisadas pela Polícia Civil. "Há mais de 40 anos no mercado, o Grupo Protege ressalta que seus colaboradores são rigorosamente treinados para atuar em situações de risco e que segue os mais severos procedimentos de segurança", informa trecho da nota divulgada pela empresa à imprensa.

Ação

Ainda na madrugada de domingo, as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e o Comando de Operações Especiais (COE) foram até o local e surpreenderam a quadrilha quando ela deixava a empresa e entrava no ônibus.

Os grupos de elite da PM informaram que prenderam Marcelo Adelino Moura, que dirigia o ônibus do bando usado na fuga. O motorista tentou escapar com o veículo, arrancando com ele pelas ruas de Santo Amaro até bater em um poste, derrubando o semáforo da esquina das Avenidas João Carlos da Silva Borges e Professor Alceu Maynard Araújo. Depois, Moura ficou dentro do ônibus e os policiais tentaram negociar sua rendição por cerca de duas horas. Como ele não se rendeu, a PM jogou uma bomba de gás lacrimogêneo no veículo. Ele não ficou ferido.

A PM informou que matou Ricardo Pereira dos Santos e Marcos Oliveira Amaro, num tiroteio após revidarem os disparos. O outro suspeito pelo crime morreu atropelado pelo veículo quando tentava sair do bueiro e entrar pelo fundo falso. O homem, que usava uma roupa de neoprene, não foi identificado.

No ônibus usado pelos assaltantes, foram apreendidos um fuzil 556 com mira telescópica, uma pistola 9 milímetros, munição, alguns carregadores e dinheiro.

Pelo fato de a operação envolver policiais militares e resultar em resistência à prisão seguida de morte, a conduta deles será investigada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), também da Polícia Civil, com o acompanhamento da Corregedoria da PM.

Apesar de o caso ter sido registrado inicialmente no DHPP, o Deic vai investigar o furto e procura os demais suspeitos pelo crime, segundo informou nesta segunda-feira (15) a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP). A assessoria do departamento não foi localizada para comentar o assunto.

Segundo o major Marcelo Gonzales Marques, coordenador operacional da Rota, um dos criminosos mortos durante a troca de tiros com os policiais militares já havia sido condenado e tinha cumprido pena por roubar um banco no Nordeste nos últimos anos. ?Essa quadrilha era especializada em roubos ousados como esse?, disse o oficial da PM, que não soube informar quando esse assalto no outro estado havia ocorrido.

De acordo com ele, cerca de 15 a 20 criminosos participaram do furto na Protege. ?O motorista do ônibus nos informou que havia 12 dentro do veículo e outros 8, pelo menos, estavam do lado de fora dando cobertura num carro BMW?, afirmou o major Marques.

Para tentar encontrar os criminosos, a PM chegou a vasculhar as galerias pluviais em busca de suspeitos pelo furto.

Fonte: G1